- A artista berlinense Alida Sun transforma código em arte têxtil, mantendo uma prática diária de codificação por cerca de 2500 dias.
- Seu sistema audiovisual, movido por movimentos corporais, converte imagens e sons em obras digitais que ganharam versões físicas em tapeçarias feitas à mão.
- Em RITES, a exposição de Sun no Method Delhi, as peças foram traduzidas para tapeçarias bordadas em colaboração com artesãs do Swami Sivananda Memorial Institute of Fine Arts & Crafts (SSMI) de Delhi.
- O projeto enfatiza a história da contribuição feminina na computação, conectando têxteis tradicionais ao código e à programação modernas.
- Sun planeja próximas atividades, como palestra na Academia de Belas Artes de Viena e participação na conferência Women In Tech Sweden em Estocolmo; a mostra RITES permanece disponível on-line.
A artista alemã Alida Sun, radicada em Berlim, codifica novas obras de arte digital quase diariamente. Depois de uma exposição recente, ela explica como traduziu obras imateriais em tapeçarias tangíveis, explorando rituais físicos por trás da codificação.
Sun desenvolveu um sistema próprio, que chama de instrumento audiovisuial. O sistema detecta luz e transforma movimentos em visuais e sons. Com ele, a multidisciplinar tem produzido uma nova obra por dia há 2500 dias, quase sete anos de codificação diária.
Para a artista, a prática de programar tornou-se um processo físico. Em *RITES*, atualmente em exibição, ela investiga os rituais físicos e a história do artesanato tangível por trás de códigos imateriais.
RITES: da código à tapeçaria
Neste mês, Sun conduzirá uma palestra sobre *RITES* e a encarnação do código na The Academy of Fine Arts Vienna e falará sobre seu processo de arte diária na conferência Women In Tech Sweden, em Stockholm.
As tapeçarias, tecidas à mão por artesãs mulheres do Swami Sivananda Memorial Institute of Fine Arts & Crafts (SSMI) em Delhi, recontextualizam a tecnologia, destacando a relação entre programação e práticas têxteis.
Colaboração e herança feminina
A exposição ressalta a contribuição histórica das mulheres para a engenharia de software e a computação moderna, muitas vezes ocultada pela hierarquia entre arte e craft. Sun destaca que o trabalho de artesãs transforma a visão tecnológica em memória material.
As peças combinam cores vivas, padrões geométricos e motivos florais, tendo como destaque a tapeçaria *Protect your playful whimsy at all costs* e a peça *Women pioneered electronic sound art*. As obras enfatizam que a memória computacional está intimamente ligada à costura e ao trabalho manual.
Sun enfatiza que mãos femininas foram centrais para o avanço da tecnologia, desde a memória de ponta usada nas missões Apollo até o papel das artesãs na tecelagem. Em diálogo constante com as artesãs do SSMI, ela colocou o foco no patrimônio técnico feminino e na celebração da criatividade coletiva.
A artista conta que o processo criativo envolve alegria e jogo, princípio que guiou o desenvolvimento do projeto ao longo de dois anos. Ao longo da montagem, houve interação entre técnicas tradicionais de bordado e envios digitais, gerando uma linguagem híbrida entre código e têxtil.
Sun descreve a experiência como uma forma de desafiar narrativas dominantes do setor tecnológico, muitas vezes associadas a figuras masculinas. Ela segue produzindo diariamente, mantendo o impulso criativo como forma de trabalho também terapêutico.
O trabalho *RITES* permanece disponível online após o encerramento da exposição em Method Delhi no mês passado, com novas possibilidades de exibição futuras. Continue atento às próximas datas e oportunidades de ver as obras em circulação.
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