Bethania Nascimento F. Gomes retorna aos palcos de Nova York nesta quinta-feira (16) para a reestreia do balé Pássaro de Fogo, da Dance Theatre of Harlem. A apresentação abre a temporada com a versão afro-caribenha do clássico russo.
Intérprete principal na companhia nos anos 2000, Bethania foi a única brasileira e estrangeira a ocupar o papel. Em entrevista à Agência Brasil, a bailarina afirmou que o sucesso veio por meio de esforço e resiliência, sem necessidade de soluções mágicas.
A homenagem ocorre em meio a uma trajetória de destaque internacional. Bethania já percorreu mais de 20 países, incluindo Austrália, Nova Zelândia e China, e chegou a ser promovida a primeira bailarina da Dance Theatre of Harlem, abrindo portas para mulheres negras no balé clássico.
Trajetória internacional e impacto
Ao longo de sua carreira, Bethania acredita que o reconhecimento no palco que a consagrou contribui para ampliar a visibilidade de mulheres negras no balé mundial. Ela ressalta, porém, a persistente ausência de bailarinas negras nas cenas brasileiras, em especial no Theatro Municipal.
A bailarina também relembra episódios de racismo enfrentados no Rio de Janeiro e observa que o avanço internacional ajuda a pavimentar caminhos. Ela mencionou campanhas contra discriminação após o falecimento de familiares, como a morte de sua mãe em 1995, vítima de feminicídio.
Balé afrofuturista
A Dance Theatre of Harlem, fundada em 1969 por Arthur Mitchell e Karel Shook, impulsionou Bethania no cenário internacional. Na versão afrofuturista de Pássaro de Fogo, a coreografia é de John Taras, com cenários e figurinos de Geoffrey Holder, natural de Trinidad e Tobago. Holder incorporou cores que conectam o enredo à diáspora africana.
Bethania aponta que a versão atual valoriza a presença da comunidade afrodescendente na narrativa, conectando a história do balé à herança africana e à imigração forçada durante o tráfico transatlântico. O pássaro, segundo a artista, representa renascimento e resiliência.
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