Em Goiânia, a série brasileira Emergência Radioativa, da Netflix, conquistou o público mundial ao retratar o acidente com Césio-137 ocorrido em 1987. A produção superou fronteiras e ficou entre as mais assistidas em mais de 55 países.
O diretor Fernando Coimbra afirmou estar surpreso com o desempenho internacional. Ele ressaltou que o tema tem apelo universal e que o Brasil pode dialogar com questões políticas, sociais e humanas presentes no caso.
A série, criada por Gustavo Lipsztein, dirigida por Coimbra e Iberê Carvalho, é produzida pela Gullane. Estreou no streaming em 18 de março, levando às telas uma história real com liberdade dramática, sem pretensão de biografia fiel.
Processo criativo e pesquisa
Antes de iniciar, Lipsztein dialogou com profissionais envolvidos no acidente e famílias de vítimas. Coimbra manteve esse contato, visitou Goiânia e buscou informações que ajudaram a compor o visual e as situações dos personagens.
Para Merlino, Catarina não é uma biografia de Lourdes das Neves Ferreira. A atriz explica que a personagem é uma condensação de várias pessoas, com trajetória própria, incluindo desamparo, superação e impactos sociais.
Construção de personagens e improviso
Coimbra destacou a importância do elenco, capaz de improvisar de forma natural. Esse procedimento acabou modulando relações no roteiro, como a aproximação entre Catarina e o marido João, criada a partir de improvisos durante as filmagens.
Merlino reforçou que o elenco trouxe humanidade aos papéis, evitando que as personagens fossem apenas dolorosas. A convivência entre direção e atores foi apontada como essencial para a verossimilhança das cenas.
Impacto social e desdobramentos
O sucesso da série coincuiu com um avanço concreto: a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, em março, um projeto de lei que aumenta a pensão das vítimas. A comunidade esperava mudanças há sete anos.
Coimbra destacou que a resposta rápida pode ter relação com o momento político e eleitoral, mas expressou satisfação ao ver o tema ganhando discussão pública. A produção acompanhou a repercussão com cautela.
Merlino pontuou que a obra propõe uma ressignificação histórica, evidenciando que a responsabilidade não recai apenas sobre as vítimas ou sobre indivíduos isolados, mas sobre falhas estruturais na gestão de resíduos.
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