Weena Tikuna, 37 anos, é artista e empreendedora que transformou redes sociais e moda em território ancestral. Com 1 milhão de seguidores no Instagram, criou uma marca de vestuário sustentável e bonecas indígenas, conectando arte, turismo e identidade da Amazônia. O trabalho ganhou espaço ao longo de 2000, quando começou no Orkut e se espalhou para Facebook, YouTube e TikTok.
A trajetória de Weena não visa apenas exposição. Ela usa a comunicação para quebrar estereótipos sobre povos originários e valorizar sua cultura. A artista é mãe de I’étünã, de 4 anos, e espera o segundo filho, De’etchicü, enxergando nas crianças a esperança para um presente mais digno.
Passos na moda e no empreendedorismo
Formada em artes plásticas, Weena resolveu criar suas roupas para enfrentar preconceitos na universidade. Ela desenhava grafismos de proteção e cuidado em peças próprias, abrindo caminho para uma presença profissional no setor.
Em 2018, estreou na Brasil Eco Fashion Week, em São Paulo, tornando-se a primeira estilista indígena a desfilar no evento. A temporada resultou na coleção intitulada quando as passarelas viraram aldeia, com 12 peças.
A marca e a boneca indígena
A marca hoje foca em moda sustentável sob encomenda. Em 2020, foi lançada uma linha de bonecas indígenas, batizadas com nomes de familiares e grafismos tradicionais. Os preços variam entre R$ 170 e R$ 250.
Segundo a artista, as bonecas ajudam a combater preconceitos ao carregar histórias, superação e identidade. A produção é parte de um projeto que envolve grafismo e tradição.
Turismo como ponte com a ancestralidade
Em Alter do Chão, no Pará, Weena e o marido Antón Carballo atuam no setor de vivências turísticas. O empreendimento oferece cinco casas na árvore e uma casa flutuante no rio Tapajós, sem televisão ou rádio, para aproximar hóspedes da natureza.
A proposta também tem impacto social. A equipe fixa envolve cinco profissionais, e o negócio paga impostos e sustenta famílias com as próprias casas e bonecas.
Participação em feiras e ativismo
Weena participa de eventos nacionais e internacionais, como feiras de povos indígenas, para ampliar a visão sobre o indígena contemporâneo. O objetivo é mostrar que há presença atual, uso de tecnologia e acesso a informações em seu cotidiano.
A arte continua sendo a principal fonte de inspiração e linguagem. Segundo a artista, a arte facilita a comunicação sem palavras, contribuindo para reduzir preconceitos e ampliar o debate sobre identidades indígenas no Brasil.
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