Nalini Malani inaugura no Venice a instalação Of Woman Born, projetada para o Magazzini del Sale. A obra reúne animação em várias telas, projeção sobre paredes de tijolo e som, com curadoria do Kiran Nadar Museum of Art. A mostra integra a programação da abertura da Bienal de Veneza, no próximo mês.
A instalação utiliza nove canais de animação distribuídos por três paredes, em um espaço longo e subterrâneo que lembra uma caverna. O local é um armazém de sal do século XV, com paredes que cedem ao tempo e em que o sal ainda extrai vestígios. A curadoria valoriza a relação entre arquitetura e imagem.
O centro da obra é o mito de Orestes, explorando a justificativa da matricídio. A narrativa é conectada ao presente, evidenciando a desvalorização de mulheres, a violência e a voz feminina na história e na atualidade. A leitura busca relações entre o antigo e o contexto contemporâneo.
Além da instalação, Malani estende a figura da “Skipping Girl” pela cidade. Ela aparece em pôsteres e sinalização pública, guiando o público até o espaço por meio de QR codes que conectam às animações com trilha sonora.
A artista trabalha com desenho, animação e som desde a década de 1960. Em Of Woman Born, a música é composta pela própria Malani, com trechos literários de Oresteia, T. S. Eliot, Hannah Arendt e Adrienne Rich, formando uma camada sonora contínua de cerca de 30 minutos.
Questionada sobre o uso de tecnologia, Malani enfatiza que o problema não é a ferramenta, mas as decisões humanas. A obra busca provocar perguntas sobre políticas, guerras, fronteiras e a persistência de estruturas de poder.
Sobre o processo criativo, a artista descreve o desenho como teclado para a animação. O resultado é uma experiência sensorial em que o espectador lê o espaço, movendo-se entre os elementos que surgem ao percorrer as paredes.
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