Luisa Lima comenta a evolução de Os Outros, série do Globoplay que está na terceira temporada. A diretora artística explica que a mudança de cenário, do Rio para o interior, mantém a espinha narrativa enquanto amplia os temas explorados pela produção.
A história acompanha Cibele e Marcinho, que tentam reconstruir a vida após fugir com o dinheiro de um cassino. Nesta fase, o elenco e a equipe mantêm o foco na complexidade da convivência social, com o centro em intolerância, violência, amor e dilemas morais.
Para Luisa, a transição de ambiente revela que conflitos sociais e individuais existem em todos os lugares. A fuga de Cibele para o campo não é apenas uma virada, é consequência de uma lógica que a série persegue desde o começo, com os personagens buscando novas possibilidades mesmo diante de traumas.
Ao longo de seis anos em torno desse universo, a diretora destaca o amadurecimento artístico de todos. Acompanhando os personagens, Luisa sente que também cresce como pessoa, atriz e realizadora, em sintonia com mudanças no país e no mundo.
Um ponto destacado é a evolução de Antonio Haddad, que interpreta Marcinho desde os 16 anos e, hoje, aos 20, representa a transformação do personagem. A referência para o timming é o longa tempo mostrado em Boyhood, de Richard Linklater, pela convivência de atores em fases diferentes de vida.
Luisa ressalta que o trabalho representa uma espécie de estudo social aplicado. Através de observação, a diretora busca entender como indivíduos se transformam diante de traumas, desemprego, amor, medo e escolhas difíceis, sem julgar.
Essa abordagem também nasce de uma experiência coletiva em Histórias (Im)possíveis, projeto com outras diretoras que debate racismo, etarismo e uberização pela visão feminina. O intercâmbio entre artistas de várias regiões enriquece a linguagem.
Entre o coletivo e a direção solo, a trajetória de Luisa mescla responsabilidade com desejo de experimentação. Dirigir projetos e firmar identidade autora traz autonomia, mas envolve pressão, trabalho intenso e momentos de tensão.
Os Hey rótulos de qualidade, como o prêmio APCA conquistado na primeira temporada, ajudam, mas Luisa prefere manter o frescor do trabalho. A ideia é continuar arriscando, sem perder humildade, para preservar a veracidade do universo de Os Outros.
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