Extraordinário ‘A Fúria’ encerra a trilogia de Ruy Guerra, iniciada nos anos 1960, e traz o cineasta aos 94 anos engajado na análise do Brasil contemporâneo. O filme conclui uma leitura de décadas de história, sob a lente de um projeto estético que alia inovação cinematográfica a crítica social permanente.
A obra reúne a trajetória de Mário, personagem central da trilogia, interpretado por Nelson Xavier nos dois primeiros títulos e por Ricardo Blat no terceiro. Salatiel, empresário poderoso, é vivido por Lima Duarte, cuja influência sobre políticos e generais impulsiona a trama. O enredo cruza passado e presente para discutir democracia, poder e corrupção.
Contexto e produção
Situado no interior de um Brasil em mudança, o filme remete ao sertão baiano de Milagres em Os Fuzis, e ao Rio de Janeiro urbano de A Queda, explorando a evolução de linguagem ao longo da trilogia. Em A Fúria, Guerra adota recursos de estúdio e uma estética mais expressiva, com foco em rostos e tensions dramáticos.
Desenvolvido por Ruy Guerra com Luciana Mazzotti, o roteiro teve contribuições de jovens cineastas, entre eles Pedro Freire e Leandro Saraiva. O texto busca retratar a conjuntura atual por meio de uma perspectiva histórica, sem omitir a presença de símbolos de poder e religiosidade popular.
Recepção e destaque
A estreia pública ocorreu no Festival de Brasília de 2024, onde Guerra recebeu ovacionamento ao apresentar o desfecho da trilogia. A produção foi apresentada como uma leitura crítica da história brasileira, conectando passados determinantes a cenários contemporâneos. O resultado é descrito como intenso e contundente, sem abrir mão da clareza documental.
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