Theo Eshetu leva ao Pavilhão da Bienal de Veneza a obra The Garden of the Broken-Hearted, de 2026, com a presença de um oliveira montada em uma plataforma giratória. A instalação projeta a imagem da árvore sobre a própria árvore, criada para dialogar com temas de ausência e cuidado.
O artista britânico-etiopiano, que trabalha há mais de quatro décadas com cinema, televisão e instalações, descreve a peça como uma transição entre o videoarte e a materialidade do objeto. O projeto chega a Veneza após conversas com a curadora Koyo Kouoh, falecida recentemente, e aborda jardins como metáforas da humanidade.
A obra surge em meio a uma trajetória de pesquisas sobre uma “hipótese de uma visão de mundo”, presente em trabalhos como Brave New World, The Slave Ship e Atlas Fractured. Eshetu explica que o jardim é uma ponte para pensar narrativas humanas sem voltadas a cultura, buscando insights sobre a origem da consciência.
O léxico da instalação enfatiza o movimento: o oliveira de cerca de 4,5 metros gira sobre a base, enquanto o vídeo é projetado no tronco. O processo envolve a tentativa de sincronizar imagem e objeto, mesmo diante de limitações técnicas, para revelar uma leitura de mundo a partir do vegetal.
A escolha de apresentar apenas o movimento da árvore, sem voz humana, marca uma mudança em relação a trabalhos anteriores, em que o vídeo dominava o espaço. O artista comenta que a peça permite ao público atribuir narrativas, mesmo sem uma leitura simbólica pré-definida.
Eshetu acrescenta que a árvore, proveniente de natureza, simboliza a busca por raízes e identidades num momento de complexidade global. O projeto também está ligado a uma futura filmagem sobre a jornada da árvore até Veneza, que não fará parte da exposição.
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