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Lubaina Himid vence Bienal de Veneza após 40 anos de luta

De Margem a Veneza: Lubaina Himid representa a Grã-Bretanha no maior palco da arte, após quatro décadas de luta por reconhecimento

‘I could smell Brexit coming’ … Himid in her studio in Preston.
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Lubaina Himid, a britânica que participou de uma trajetória marcada por batalhas no mundo da arte, representa o Reino Unido na Venice Biennale, o que é descrito como a maior vitrine internacional para artistas. A abertura ainda não começou, mas a escolha já coloca a artista de Preston em destaque no cenário artístico mundial. O momento é visto como a confirmação de uma carreira que atravessa quatro décadas.

A residência da artista em uma casa vitoriana, reformada para abrigar um estúdio, traduz o clima de foco que envolve seu trabalho. Em preparação para o pavilhão britânico, ela já instalou parte das obras, com a equipe fotografando, enviando e montando as peças no Giardini, espaço tradicional das nações na Bienal.

Himid, hoje com 71 anos, faz parte de uma geração de artistas negros britânicos que vem ganhando reconhecimento internacional após décadas de lance crítico contra o establishment. Sua prática usa pintura, madeira e têxteis para explorar identidades, pertencimento e histórias silenciadas do Black Atlantic.

O pavilhão britânico e o conceito

O espaço denominado Predicting History: Testing Translation é marcadamente luminoso, com 78 litros de branco óptico e iluminação Barrisol, criando uma percepção de dia de verão britânico. O interior abriga cerca de seis grandes pinturas que representam diferentes perfis: trabalhadores, arquitetos, cozinheiros, jardineiros e costureiros.

Entre as obras, as figuras narram uma conversa sobre identidade e adaptação em novos contextos. Perguntas que acompanham a instalação exploram origem, memória e pertencimento, levando o público a refletir sobre línguas, comportamentos e modos de vestir em espaços estrangeiros.

Além da mostra, Himid assinou uma carta coletiva que pede a suspensão do pavilhão israelense, associada à Art Not Genocide Alliance. A artista sustenta que não é possível permanecer neutra diante de conflitos e genocídios em curso, mantendo posicionamento público sobre questões de direitos humanos.

Contexto histórico e presença na Bienal

A trajetória da artista começou longe dos holofotes, com exposições em espaços alternativos e um ensaio de resistência frente a instituições que consideravam sua produção improvável. A virada ocorreu na década de 2010, quando galerias de grande expressão passaram a reconhecer seu trabalho, culminando no reconhecimento mundial com o prêmio Turner, aos 63 anos, em 2017.

Representar a Grã-Bretanha num evento que carrega leituras históricas de colonialismo e nacionalismo traz uma dimensão complexa à presença de Himid. Ela afirma ter conhecimento das dinâmicas britânicas ao longo dos anos e ressalta que decidir representar o país não é uma escolha simples, mas está ligada ao impacto de sua obra na paisagem cultural.

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