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Dolores Fonzi concorre a prêmio de cinema pela luta pelo aborto legal

Dolores Fonzi compete no Platino Xcaret com Belén, filme que reaviva o debate sobre aborto legal na Argentina, diante de restrições impulsionadas pelo governo Milei

Brasília- DF – 09/05/2026 – Entrega do Prêmio Platino Xcaret. Foto: Divulgação/ Prêmio Platino Xcaret
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Dolores Fonzi lança o filme Belén, que aborda a luta pelo aborto legal na Argentina. A obra concorre ao prêmio de Melhor Filme no Platino Xcaret, ao lado de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça.

O filme reconstitui o caso de uma jovem de 20 anos, de origem pobre, que sofreu um aborto espontâneo em hospital público no interior da Argentina. Ela ficou presa por cerca de dois anos após ser acusada de homicídio.

Belén retrata a falha do sistema jurídico na época, que negligenciou direitos básicos de mulheres em emergências obstétricas. A narrativa acompanha a mobilização de mulheres, que pressionou pela revisão do processo e pela libertação.

A direção é de Dolores Fonzi, com produção de Letícia Cristi. Em Cancún, Fonzi destacou desafios atuais para o acesso ao aborto desde a posse do governo ultradireitoista, enfatizando restrições orçamentárias.

Segundo a diretora, mesmo com lei vigente, o custo de um aborto medicamentoso fica próximo de 20% do salário mínimo, o que impede muitas mulheres pobres. Ela citou obstáculos financeiros como entrave.

A equipe de produção confirmou que o filme tem sido exibido em escolas, centros comunitários, universidades e prisões. O objetivo é ampliar o debate público sobre direitos sexuais e reprodutivos.

Na quinta-feira (8), Belén recebeu o Prêmio Platino de Cinema e Educação em Valores, reconhecimento a obras com impacto social. A produção expõe falhas estruturais do Judiciário argentino sem apontar culpados específicos.

A repercussão da história, passados dez anos da libertação da jovem apelidada de Belén, reacende discussões sobre o tema no país vizinho. O contexto atual é marcado por debates sobre políticas públicas de saúde.

Estudos da Lancet Global Health, usados como referência pela OMS, indicam que taxas de aborto variam conforme a legislação. Dados apontam maior incidência de abortos inseguros onde as leis são mais restritivas.

A imprensa destaca que o debate sobre o aborto continua central na agenda pública argentina, com a produção cultural contribuindo para a reflexão sobre direitos reprodutivos. A diretora e a produtora ressaltaram o papel educativo do cinema.

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