O estrogonofe da mãe de Janaína Torres é lembrança que atravessa gerações. Rejane Rodas preparava a receita com carne refogada, cogumelo, creme de leite, molho de tomate e um toque de molho inglês, aromas que permanecem na memória da chef.
Aos 18 anos da abertura do Bar da Dona Onça, em São Paulo, o prato ganhou status de símbolo afetivo. Janaína relembra que a mãe não gostava de cozinhar, mas fazia estrogonofe em ocasiões especiais para demonstrar carinho, deixando a casa com energia positiva.
O prato também ficou registrado no restaurante como herança. Janaína Cecília Torres homenageia a avó Dona Cecília, que tinha o brigadeiro sem granulado como assinatura. O brigadeiro da família acompanha o cafezinho servido no bar.
Entre recordações, a chef conta sua rotina: o estrogonofe frio no café da manhã era comum, ainda que a família comesse tarde. Ela descreve o prato como amoroso e ligado à maternidade, não às lasanhas, que eram menos presentes em casa.
A relação de Janaína com as lembranças não fica apenas no prato salgado. O brigadeiro sem granulado, símbolo da origem humilde, representa memórias da infância ao lado da mãe. O doce continua presente em casa e no Dona Onça, sempre sem granulado.
Da avó para a casa da família, o brigadeiro sem granulado acompanha o ritual do cafezinho. O gosto pelo doce, herdado de Dona Cecília, permanece como referência de afeto na trajetória da chef.
Além de filha, Janaína Torres é neta. A herança familiar se estende ao puchero, versão brasileira do sopão espanhol, que ela transforma no Dona Onça com maxixe e quiabo. Quando a saudade aperta, o prato aparece na casa da chef como opção especial.
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