O bandolinista Hamilton de Holanda lança o álbum Nova, marcado por uma fusão de choro, jazz e texturas elétricas. O disco chega em um momento de maturidade artística, mantendo a sobriedade emocional presente em sua linguagem.
O trio central é formado por Hamilton de Holanda no bandolim, Salomão Soares no piano e Thiago Big Rabello na bateria. A base harmônica e rítmica sustenta as experimentações, sem prender o som a uma única escola.
Em Nova, as composições dialogam com o jazz contemporâneo, o choro e referências africanas, sempre com foco na emoção que emerge da contemplação. A proposta é transformar complexidade em presença musical.
Colaborações que ampliam o universo
Pras Crianças, de 1999, ganha nova leitura com a participação da sitarista Anoushka Shankar, introduzindo uma suspensão luminosa à faixa. A peça respira com pausas estratégicas que ampliam o espaço sonoro.
Frio Lá Fora introduz Ibrahim Maalouf no trompete, trazendo uma melancolia cinematográfica que não atrapalha o fluxo do disco. A presença do instrumentista amplia o alcance emocional das faixas.
Paulinho da Costa acrescenta percussão com assinatura de memória histórica, conectando o álbum a uma linha de gravações marcantes da música mundial. Michael Pipoquinha completa o baixo com fluidez que aumenta a pulsação.
Trajetória e contexto de criação
Em 2000, Holanda investiu em um bandolim de dez cordas, ampliando as possibilidades de expressão. A mudança foi motivada pela busca de novas formas de traduzir emoções já contidas no repertório.
Durante a gravação, Hamilton improvisou ao tocar canções de ninar para um bebê presente no estúdio, cena que revelou o clima de simplicidade que permeia o projeto.
O músico também integrou o universo da Jazz at Lincoln Center Orchestra, convidado por Wynton Marsalis para apresentar composições no Rose Hall, em Nova York. A experiência reforça o papel de Nova como repertório vivo.
Raízes e motivações
O pai de Hamilton, José Américo, foi quem introduziu o som na casa, ajudando a moldar seu ouvido desde a infância. O músico encerra o texto lembrando que o choro, o bandolim e o Brasil sempre estiveram na sua identidade.
Nova expõe uma prática de escuta que traduz esperança em ação musical, mantendo a essência de um artista que transforma afeto em som. O projeto soma reconhecimento internacional e continuidade criativa.
Entre na conversa da comunidade