Ao adaptar Cem Dias Entre Céu e Mar, Carlos Saldanha encontrou na travessia do Atlântico uma história que não aparece no livro original. Em 100 Dias, a viagem de Amyr Klink é mostrada também como a luta de um filho para se libertar da sombra de um pai rígido.
A produção, com Filipe Bragança no papel de Klink, será lançada nos cinemas em 29 de outubro. A narrativa mantém a travessia como eixo, mas prioriza a relação familiar, diferente da obra publicada após a expedição.
Detalhes da produção
A história traz o pai, Jamil Klink, como figura central ao lado do jovem navegador. O roteiro foi escrito por Elena Soarez e Thais Tavares, com base em relatos de Amyr Klink.
Segundo o piloto do filme, o tema da relação entre pai e filho ganhou destaque durante as conversas que embasaram o roteiro. O personagem é descrito como exigente, duro e influente na formação do filho.
A diretora de animação não só reformula a travessia, mas insere cenas que exprimem trajetórias internas. Saldanha afirma ter buscado o equilíbrio entre acontecimentos reais e possibilidades da mente humana em cem dias no oceano.
Klink comenta que confiou na equipe para retratar a vida do próprio jeito, sem impor limitações. Bragança treinou meses para remar, reproduzir a caligrafia do navegador e adaptar o corpo ao personagem.
A preparação incluiu aprender instrumentos cartográficos e técnicas da época, sem recursos modernos. O ator chegou a perder peso e se dedicar a cada detalhe para a verossimilhança.
Tamara Klink, filha do navegador, também é mencionada no material de divulgação. Atualmente navegadora, ela já teve de seguir caminhos próprios, sem apoio financeiro direto do pai, segundo relatos da produção.
O filme reforça a ideia de que história é construída individualmente. O diretor ressalta que a obra, embora baseada em uma travessia real, traz interpretações dramatúrgicas para compreender o que ocorreu.
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