Metallica viveu uma guinada sonora em 1996 com o lançamento de Load, que sinalizou uma passagem do thrash para o hard rock. A mudança envolveu a dupla Hetfield/Ulrich, com Hammett e Newsted, e ocorreu durante os trabalhos de 1995 a 1996. A decisão refletiu uma direção artística desejada pela banda, sem uma reação exclusiva ao público.
O grupo chegou a gravar em formato próximo de um show ao vivo, segundo o produtor Bob Rock, que articulou a gravação dos quatro membros juntos. A ideia era capturar a energia de palco, mantendo a identidade da banda apesar das influências blues e hard rock. O resultado abriu espaço para referências a Black Sabbath, Motörhead e outros ícones de décadas anteriores.
O disco trouxe uma sonoridade mais contida e menos extrema que os trabalhos anteriores, com faixas que oscilaram entre baladas e composições de rádio. O single “Until It Sleeps” abriu o caminho para uma estética mais lenta, enquanto “King Nothing” recebeu destaque por soar mais alinhado ao novo clima.
A recepção foi mista entre fãs históricos, que esperavam a continuidade do som de outrora, e novos ouvintes, que validaram a mudança comercial. Em termos comerciais, Load vendeu cerca de 5 milhões de cópias apenas nos EUA, mostrando sucesso de mercado apesar da resistência de parte do público.
O que se seguiu confirmou a divergência: Reload (1997) nasceu das mesmas sessões, reforçando o novo rumo. A crise de identidade acentuou-se com St Anger (2003), mas a banda voltou a explorar o passado mais tarde em Death Magnetic (2008). O período 1996-1997 permaneceu como etapa de transição na trajetória do Metallica.
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