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Girl, Interrupted vira musical com trilha de Aimee Mann; revisão é mista

Musical com canções de Aimee Mann revela a interioridade das pacientes, mas o drama permanece contido e menos contundente que a versão cinematográfica

Ta’Rea Campbell, Juliana Canfield and Lauren Jeanne Thomas in Girl, Interrupted.
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O Public Theater, em Nova York, apresenta a peça Girl, Interrupted, adaptação em formato “peça com música” inspirada na memória de Susanna Kaysen sobre um hospital psiquiátrico nos anos 60. A comitiva traz músicas compostas por Aimee Mann, lançadas em 2021 no álbum Queens of the Summer Hotel, criadas para a encenação que demorou a ganhar corpo devido à pandemia.

A protagonista Susanna, vivida por Juliana Canfield, chega a McLean em 1967 após uma tentativa de suicídio. Lá, ela convive com Lisa, Grace, Daisy, Polly e outras pacientes, cada uma com dilemas clínicos distintos. A encenação prioriza o confronto entre vida interior e diagnóstico médico, com foco nas experiências das jovens e suas relações.

Música como vetor dramático

As canções, de tom contido, oferecem entrada aos mundos internos das personagens. Destaques incluem Burn It Out, com Polly reconstruindo o ato de se ferir, e Robert Lowell and Sylvia Plath, interpretadas por Susanna e Grace, que tratam da fronteira entre genialidade criativa e loucura. Acompanhamento instrumental é variado entre piano, violino e guitarra.

Desempenho e direção

A direção é de Jo Bonney, com montagem simples que utiliza um gramofone giratório e poucos móveis. A iluminação de Heather Gilbert cria espaços e tensões distintos. Canfield sustenta o centro da peça com presença serena, transmitindo uma Susanna madura e reflexiva. King Princess interpreta Lisa com sobriedade, afastando o estereótipo de antagonismo.

Girl, Interrupted é descrita pela produção como uma obra de teatro com música, não puramente musical. A montagem evita o exagero cinematográfico da versão de 1999, buscando uma abordagem mais contida. Ainda assim, o foco musical amplia a compreensão das personagens, mesmo que o peso das conclusões de Kaysen permaneça sutil.

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