O Spotify anunciou nesta quinta-feira (17) que vai lançar no Brasil o Spotify Partner Program, programa de monetização voltado a produtores de podcasts e conteúdos em vídeo. A iniciativa começará a operar em 19 de outubro e também chegará a mais de 35 novos mercados, na maior expansão global do programa até agora. Entre os países incluídos estão México, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Itália, Espanha e Polônia.
“Após o sucesso do Spotify Partner Program nos Estados Unidos, Europa e Austrália, esta é a maior expansão já realizada pelo programa”, afirmou a empresa em comunicado.
Segundo o Spotify, criadores de áudio e vídeo que atenderem aos critérios do programa poderão contar com diferentes formas de receita. O modelo combina ganhos baseados no engajamento da audiência Premium com publicidade e patrocínios próprios.
“Os criadores brasileiros têm um papel fundamental na evolução do podcast, e queremos que esse crescimento também se traduza em mais oportunidades”, afirmou Camila Justo, head de podcasts do Spotify Brasil, em nota à imprensa.
A expansão ocorre em um momento de crescimento do consumo de podcasts em vídeo no Brasil. De acordo com o Spotify, a audiência mensal desse formato na plataforma aumentou 60% no país no último ano. Atualmente, os podcasts em vídeo já representam um terço de todas as horas de podcasts consumidas no Spotify no Brasil.
“O avanço do vídeo acontece em meio à expansão do podcast como um todo: nos últimos cinco anos, o consumo do formato no Brasil mais que dobrou, com crescimento de 126%”, afirmou a empresa.
Novas receitas chegam aos podcasts enquanto remuneração de músicos segue limitada
Enquanto o Spotify investe no crescimento dos podcasts, criadores do setor musical ainda enfrentam dificuldades quando o assunto é remuneração. Segundo a empresa, cerca de 13 milhões de pessoas já publicaram pelo menos uma música na plataforma, mas apenas 250 mil artistas no mundo estariam efetivamente buscando uma carreira profissional.
Desse grupo, 81 mil profissionais geram ao menos US$ 10 mil com a plataforma. Ao cruzar estes dados, menos da metade dos artistas profissionais ou aspirantes alcançariam esse valor ao longo de um ano.
O Spotify afirma também que cerca de dois terços da receita gerada pela música são repassados aos detentores dos direitos e não segue um valor fixo por reprodução. Quanto maior a participação das músicas de um artista no total de streams, maior é sua parcela da receita, sistema é chamado de “streamshare”.
A Competition and Markets Authority (Autoridade de Concorrência e Mercados), órgão regulador do Reino Unido, também investigou o mercado de streaming. Segundo a entidade, no mercado britânico de 2021, 12 milhões de streams em um ano poderiam gerar cerca de £ 12 mil para um artista. Menos de 1% dos artistas, porém, alcançavam o volume de um milhão de reproduções por mês.
No Reino Unido, um estudo encomendado pelo Escritório de Propriedade Intelectual mostrou que a música gravada respondia, em média, por cerca de 20% da renda obtida pelos criadores com suas carreiras musicais em 2019.
Dentro desse total, os royalties de streaming de áudio representavam apenas 6% da renda, enquanto apresentações ao vivo respondiam por 31% e o ensino de música por 9%.
(Com informações da Reuters)
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