Marjane Satrapi, autora da obra autobiográfica Persépolis, morreu aos 56 anos. A família confirmou a informação à AFP nesta quinta-feira (4). O comunicado aponta que a morte ocorreu devido a tristeza, mais de um ano após a falecia do marido, Mattias Ripa.
Satrapi viveu exilada na França desde 1994 e naturalizou-se francesa em 2006. A fama internacional surgiu com Persépolis, lançada em 2000, retratando a infância no Irã sob o regime dos aiatolás e a jornada rumo à Europa.
A adaptação para o cinema, criada com Vincent Paronnaud, foi premiada em Cannes em 2007 e indicada ao Oscar de melhor filme de animação. Satrapi dedicou o filme aos iranianos presentes na plateia.
Em 2024, recebeu o Príncipe de Asturias de Comunicação e Humanidades, na Espanha, por defender os direitos humanos e a liberdade. A artista contrariou a política de isolamento entre França e Irã, criticando a repressão no país.
Satrapi, nascida em Rasht, mudou-se aos 10 anos para o Irã com uma educação laica. A Revolução Islâmica de 1979 obrigou uso de véu e o afastamento de escolas laicas. Persépolis ganhou continuação até 2003.
Ela manteve atuação pública como defensora de dissidentes e direitos humanos, mesmo diante de controvérsias políticas. Nos últimos anos, denunciou obstáculos de vistos para jovens iranianos que buscam liberdade.
A carreira de Satrapi marcou gerações ao combinar autobiografia, quadrinhos e cinema. Sua obra reforçou a visibilidade de vozes iranianas na cultura global, sobretudo no debate sobre liberdade e repressão.
Referências à trajetória de Satrapi incluem sua posição crítica ao regime iraniano e a recusa, em 2025, de receber a Legião de Honra francesa, em protesto contra políticas migratórias francesas.
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