A cenógrafa britânica Es Devlin, conhecida por cenários de Beyoncé, Adele e U2, revela em São Paulo como o espetáculo orienta sua prática criativa. Em cartaz na Casa Bradesco, a exposição Sou o Outro do Outro reúne seis instalações que levam o visitante da escuridão à luz.
A entrevista com o NeoFeed aponta a linha de luz como fio condutor da obra. Devlin relembra uma lembrança de infância no Tâmisa, que hoje se transforma em leitmotivo que atravessa sua produção artística, conectando territórios e perspectivas diferentes.
A mostra abriu com 55 mil visitantes entre 15 de março e 30 de abril, tornando-se a mais visitada do espaço desde a inauguração em 2024. O número confirma o impacto de uma linguagem que mistura teatro, performance visual e imersão.
Com curadoria de Marcello Dantas, a exposição mergulha na ideia de identidade e encontro com o outro. O projeto usa uma versão de Mirror Maze com espelhos reais, oferecendo imagens que se multiplicam e se fundem, gerando sensação de vertigem.
Mirror Maze ganhou pela primeira vez, em São Paulo, uma montagem que privilegia reflexos nítidos. A montagem busca ampliar a percepção do visitante sobre si e a relação com o outro, núcleo temático da mostra.
Come Home Again apresenta um coro de aves e vozes de imigrantes, sugerindo interdependência entre humanos, animais e culturas. A proposta dialoga com o pensamento perspectivista de Eduardo Viveiros de Castro, transposto ao espaço expositivo pelo curador.
A apresentação de Devlin em território brasileiro marca sua primeira incursão independente do palco com o foco em instalações. A artista já é reconhecida por cenários de grandes shows e pela colaboração com nomes como Beyoncé e Adele.
Conduzida pela ideia de ritual coletivo, a mostra reforça a prática de Devlin de transformar luz, espaço e som em experiência imersiva. O processo criativo se apoia em disciplina musical herdada na infância, com repetição, prática e foco na transformação.
A curadoria ressalta que o público circula pela exposição sem linhas sequenciais fixas, conforme cada instalação convive com a iluminação e o espaço de forma singular. A montagem busca provocar reflexão sobre identidade e alteridade.
Letra e música aparecem como substrato do trabalho de Devlin. A artista menciona o valor da prática constante, que moldou não apenas o seu método, mas também a linguagem de suas obras multissensoriais.
A exposição Sou o Outro do Outro fica em cartaz na Casa Bradesco, em São Paulo, e parte da programação cultural da cidade. A mostra permanece em cartaz após receber elogios pela experiência sensorial que oferece. Credita-se ao NeoFeed a condução da entrevista com a criadora.
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