David Haskell, editor-chefe de uma das revistas mais influentes dos EUA, amplia seu horizonte criativo ao adaptar o ofício de ceramista para uma exposição individual. A mostra Boom Beach emerge como primeira exibição solo do jornalista e editor, em Donzella Ltd., galeria de design no New York Design Center, em Manhattan.
Haskell divide o tempo entre a redação de New York Magazine e o ateliê, mantendo uma rotina de trabalho com cerâmica no Brooklyn Navy Yard, duas vezes por semana. A exposição reúne 68 peças criadas nos últimos anos, com predomínio de cerâmicas, além de alguns bronzes e vidros. A construção começa no torno e segue com cortes,fusões e reconfigurações que imprimem aspecto orgânico às formas.
A estética das obras sugere objetos moldados pela água e pelo tempo, não por método estritamente acadêmico. O artista retornou à cerâmica em 2013, após infância dedicada ao material, e trabalha com regularidade aos martes à noite e aos sábados à tarde no estúdio do Brooklyn Navy Yard.
Exposição
O projeto de Haskell não depende de vendas para sustento. O escritor valoriza a liberdade de explorar ideias por meses sem obrigação de render desculpa a compradores ou comissões. A influência de Noguchi, Hepworth e Moore é citada como referência, embora o artista não associe o trabalho a uma teoria formal.
No ateliê, o processo envolve transformar formas simples de roda em estruturas complexas por meio de cortes, reagrupamentos e volumes; o resultado transmite a sensação de acúmulo natural, mais do que uma intervenção intelectual. A mostra também aponta para uma dimensão de design colecionável, com peças que atraem o público de galerias e projetos de design.
Os preços variam de menos de 2 mil reais para peças menores até cerca de 15 mil reais para as bronzes maiores. A escolha do título Boom Beach deriva de uma região costeira em uma ilha de Maine, associada a rochas esculpidas pela água, o que ajuda a explicar a presença de formas que parecem esculpidas pela maré.
A realização é resultado de uma prática que Kaskell manteve por mais de uma década: ir ao estúdio, desenvolver ideias, corrigir caminhos e retornar sempre com novas propostas. A mostra fica aberta ao público até 30 de junho.
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