O BTS virou tema de debate ao redor de shows marcados para outubro no Morumbi, em São Paulo. A onda envolve fãs, expectativas e a diferença entre gerações de pop adolescente no Brasil.
História recente aponta que, antes do grupo sul-coreano, o Brasil já havia recebido Menudo e RBD, fenômenos que mobilizaram multidões em estádios. Cada caso ajudou a moldar o que se entende por pop juvenil ao longo de décadas.
Menudo, quinteto porto-riquenho, ganhou enorme adesão ao apresentar jovens cantores que deixavam o grupo ao completar 16 anos. Em 1985, 150 mil jovens lotaram o Morumbi para acompanhar o show.
O auge do grupo em terras brasileiras coincidiu com mudanças políticas e culturais. A canção Hoje a Noite não tem Luar integrou a trilha de uma transição pós-ditadura, marcando presença na memória de fãs da época.
Renato Russo, da Legião Urbana, demonstrou fascínio pelo Menudo ao invadir uma coletiva em Brasília. A parceria musical entre bandas da época ajudou a difundir o pop jovem entre diferentes públicos.
Preta Gil também participou desse movimento, hospedando-se no mesmo hotel que os Menudo. A participação gerou expectativa, mas acabou gerando mudanças de planos para a agenda de shows.
O RBD, grupo formado a partir de uma novela mexicana, consolidou-se com apresentações em 12 capitais brasileiras. Em São Paulo e no Rio, festas de 50 mil pessoas foram comuns, num auge maior que no período anterior.
Duas décadas após, o BTS surgiu como resultado do investimento sul-coreano na cultura pop. A estratégia envolve redes sociais, vídeos de dança e músicas sobre dilemas de adolescentes, com forte apelo digital.
O que diferencia BTS, Menudo e RBD é, em parte, o canal de divulgação. Enquanto Menudo e RBD cresceram por mídia tradicional e novelas, o BTS ganhou projeção massiva via redes sociais e plataformas de streaming.
Especialistas apontam que a construção de identidades dos membros, com arquétipos distintos, cada um atraindo públicos variados, é um traço comum aos fenômenos jovens que chegaram ao país.
Além disso, o BTS soma referências do pop global, incluindo a dança inspirada em ícones como Michael Jackson, consolidando uma estética que mescla dança, canto e produção audiovisual de alto padrão.
A análise aponta que o elo com o público brasileiro hoje é fortalecido por plataformas como Twitter e TikTok, que ampliam o alcance de lançamentos e conteúdos dos fãs. A tendência aponta continuidade da visibilidade.
Os próximos passos envolvem a confirmação de datas, logística de shows e avaliação de aclamação do público no Morumbi. A tendência é observar como o público reage aos novos repertórios e formatos de apresentação.
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