A montagem de Os Gigantes da Montanha estreou no dia 5 de junho no espaço Zona Franca, em Bela Vista, São Paulo. A encenação, dirigida por Kiko Marques, acontece com apenas 30 espectadores por sessão, em um formato intimista que aproxima plateia e elenco.
A peça de Pirandello é apresentada como reflexão sobre criação artística e resistência cultural. A trupe, liderada pela Condessa Ilse, busca encenar a obra de um poeta morto em uma vila distante, após fracassarem diante do público. A narrativa usa a incompletude original como ponto de partida para discutir o alcance da imaginação frente à realidade.
O diferencial da montagem está na ruptura entre palco e público: atores e espectadores compartilham o mesmo espaço, com a apresentação iniciando ao pôr-do-sol, quando a trupe desce a rua para iniciar o espetáculo. A sonoplastia é conduzida por uma vitrola real, gerando um eco que preenche as paredes da casa.
Contexto da montagem
A produção nasce de um laboratório de pesquisa e dramaturgia realizado no fim do ano anterior, em meio a dificuldades vividas pelo teatro de grupo em São Paulo. A temporada na Bela Vista também se insere na defesa de espaços independentes diante do fechamento de casas culturais e da expansão imobiliária no eixo Bixiga-Paula.
Desafios e portando da trupe
Os integrantes enfrentam custos fixos elevados como água, luz e aluguel, em paralelo a jornadas de ensaio após horários de trabalho. O elenco destaca a importância de manter espaços que funcionem como resistência cultural e de investir no público por meio de ações de formação. O formato busca, segundo os artistas, envolver o público de forma direta e sensível, sem exigir explicações racionais imediatas.
A encenação aponta para a pergunta central da obra: até onde chegar a aposta na arte quando o isolamento parece ser a saída? Para o elenco, a resposta está na circulação da peça entre a vila e a cidade, ampliando o alcance da mensagem cênica para além de uma leitura puramente lógica.
Entre na conversa da comunidade