David Hockney morreu nesta quinta-feira, 11, aos 88 anos. O britânico fez de Los Angeles um espaço de experimentação pictórica, associando luz, cor e movimento a temas como desejo e solidão. A notícia marca o fim de uma trajetória marcada por cores vibrantes.
Entre suas obras mais conhecidas está A Bigger Splash, de 1967. A tela mostra respingos de água na piscina, uma casa moderna ao fundo e uma cadeira vazia. O instante congelado contrasta com a água em movimento, sugerindo presença invisível.
Hockney afirmou que retratar os respingos exigiu mais esforço que pintar a casa ao fundo e as palmeiras ao lado. A construção plana e as linhas arredondadas da arquitetura californiana contrastam com a efusão da água, que parece imortalizar o momento.
O artista investiu na ideia de que a pintura pode revelar desejos escondidos dentro de uma cena simples. Segundo ele, a beleza e a luz eram seus focos centrais, desde os retratos até as paisagens, sempre com traços nítidos e um quê cartunesco.
Sua produção envolve uma visão contrária a vanguardas da época, com um estilo que suaviza formatos e privilegia cores saturadas. Em obras como Portrait of an Artist (Pool with Two Figures), a tensão entre observador e observado ganha corpo sem recorrer a dramas explícitos.
A piscina vira espelho móvel que transforma o banal em tema central da experiência de estar presente. Em síntese, o conjunto de banhistas pinta maneiras de sentir e vivenciar a humanidade diante da água.
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