Clarice Senna, artista DEF, lança A Boca no Mundo, seu primeiro álbum de estúdio, com 10 faixas autorais. O trabalho mescla sonoridades da vanguarda amazônica a temas como feminino, saúde mental e o acesso à cultura. A entrevista é ao blog Vencer Limites (Estadão).
No disco, a artista utiliza linguagem descritiva para ampliar a fruição de quem tem deficiência visual. Ela comenta que a obra conversa com a experiência de pessoas com deficiência, sem se limitar a temas estritamente identificáveis pela vivência DEF. Apoiada pela poética, a proposta busca descrever imagens e sensações.
Clarice aborda ainda a forma de encarar a deficiência no palco. Ela menciona que dança com a bengala como recurso pedagógico, buscando ressignificar o objeto e ampliar a leitura da performance. O objetivo é ampliar a percepção do público sobre acessibilidade na arte.
Linguagem assistiva e performance
Clarice explica que a linguagem assistiva permeia o audiovisual de sua produção. O som é composto para favorecer ambientação e sensorialidade, não apenas técnica. Letras descritivas criam imagens mentais para diferentes corpos, incluindo quem não tem deficiência.
A cantora destaca o papel de cantautora, enfatizando que compõe e interpreta as próprias obras. Ela vê esse movimento de mulheres que compõem e cantam o que criam como uma evolução histórica, citando artistas como Ana Carolina, Vanessa da Mata e Maria Gadú como referências de autonomia criativa.
A artista reforça que a produção de A Boca no Mundo foi pensada desde o início para fruição de todos os públicos, priorizando atmosfera sensorial. Segundo ela, a estética sonora permite acesso amplo, sem depender de um único tipo de corpo ou experiência.
Acesso e participação no cenário cultural
Clarice critica a visão de que a acessibilidade cultural existe apenas como pauta para plateia. Ela aponta a ausência de cotas para artistas DEF em editais, apesar de a participação ser crescente em regimes de contratação por meio de editais públicos. A artista relata depender da própria Fed de editais para manter sua atuação.
Ela comenta que a deficiência ainda é subestimada na arte, associada a percepções de tristeza ou desastre. Segundo a intérprete, isso impacta autoestima e autoconfiança, exigindo suporte contínuo para sustentar carreira. O protesto é por reconhecimento como artista produtiva e criativa.
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