- A retrospectiva de Marilou Schultz, tecelã diné, estreia no Hessel Museum of Art, Bard College (Nova York), reunindo cinquenta e cinco obras e materiais de arquivo.
- O show destaca a produção da artista desde técnicas tradicionais até experimentações formais, com foco nos últimos trinta anos em chips de computador.
- Schultz, que cresceu em Leupp, na Nação Navajo, começou a tecer aos cinco anos e integrou ensino de matemática à prática artesanal ao longo da vida.
- Em mil novecentos e noventa e quatro, recebeu encomenda da Intel para criar um design inspirado em microchip, resultando em Replica of a Chip; a peça foi apresentada no Heard Indian Market e hoje está no San José Museum of Art.
- Obras futuras conectam tecelagem com tecnologia, incluindo Chip (2018) e trabalhos com fios metálicos, além de séries como GEO X (2025) no New Museum e GEO XX (2026) no Museum Tinguely, em Basel.
Marilou Schultz, criadora Diné, inaugura nesta semana sua retrospectiva no Hessel Museum of Art, em Bard College, no norte de Nova York. A exposição reúne cerca de 55 works e materiais de arquivo, explorando a relação entre tecelagem tradicional e tecnologia digital desde os anos 1960.
A mostra revela a trajetória de Schultz desde a infância em Leupp, na Nação Navajo, até a prática com linhas, tintas vegetais e novas técnicas. A curadoria de Candice Hopkins destaca a evolução da sua prática, com ênfase nas últimas três décadas voltadas a chips de computador.
A retrospectiva evidencia a presença de quatro gerações de tecelas na família de Schultz, incluindo sua mãe, Martha Gorman Schultz, falecida aos 93 anos. Entre as obras, destaca-se o último tecido da família, um tapete Germantown feito com lã recebida de Melissa Cody, prima da artista.
Transformação entre fios e circuitos
Desde 1995, Schultz recebeu encomendas inusitadas, como um design inspirado em microchip para a Intel, apresentada no Heard Indian Market. O projeto inicial utilizou uma técnica de relevo em tecelagem que exigiu leitura de padrões complexos, confundindo familiares quanto ao uso final do material.
O primeiro trabalho, Replica of a Chip (1994), foi apresentado na conferência Weaving and Technology da Intel e, mais tarde, doado à American Indian Science and Engineering Society. A peça está em exposição no San José Museum of Art e mostrou aos engenheiros componentes como unidades de processamento e caches.
Com o passar dos anos, Schultz passou a explorar a relação entre o desenho de microchips e elementos visuais da cultura Navajo, incluindo símbolos cardinalizados. Em Chip (2018), uma imagem de microchip lembrou proteções de antebraços tradicionais, abrindo caminho para uma leitura menos literal das arquiteturas digitais.
Metáforas entre mundo antigo e moderno
A partir de 2024, Schultz passou a incorporar fios metálicos, criando redes condutivas em peças como Popular Chip. A artista mantém o foco na órbita de comunidades online de hobbyistas de microeletrônica, que ajudam a identificar referências para suas obras, sempre recontextualizadas com elementos Diné.
Atualmente, Schultz planeja se aposentar do magistério em Mesa, no Arizona, para dedicar-se integralmente à tecelagem. Sua produção continua a buscar a interseção entre tecnologia digital e saber tradicional, sugerindo que a tecelagem é uma forma multilaboratorial de linguagem.
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