A mostra The Face of Life: Modern Portraits at The Met mergulha na transformação dos retratos ao longo do século XX, em Nova York. O conjunto expõe oitenta obras produzidas entre 1900 e 1960, que articulam a passagem da pintura de traço fiel para a subjetividade emocional. O Met recebe público até 8 de outubro.
Ao longo dos séculos, retratos serviram para eternizar poder e status. Com a fotografia surgindo no século XIX, a pintura precisou reinventar-se, impulsionada por guerras, psicanálise e industrialização. O resultado foi uma súbita abertura a emoções, angústias e a ruptura com a perfeição formal.
O acento da subjetividade na coleção
Entre os nomes, Picasso se destaca logo no início da mostra com o retrato de Gertrude Stein, feito em várias etapas entre 1905 e o retorno à Espanha. A obra mostra memória e tentativa de reconstituição, o que gerou discussão com a modelo, que reconheceu a peça apenas décadas depois.
A curadoria ressalta que a linha que separa retrato tradicional de registro pode se tornar quase uma confissão do artista. Marsden Hartley, Portrait of a German Officer, por exemplo, prioriza símbolos militares em vez da figura humana, refletindo o fascínio por temas nacionais. Derain e Vlaminck aparecem com cores intensas que transgridem traços clássicos.
O universo dos retratos evolui ainda com o século XXI, quando o autorretrato encontra as redes sociais. As selfies, segundo o antropólogo Bernardo Conde, passam a moldar a imagem pública tanto quanto a presença física. Van Gogh já havia defendido, há muito, a função expressiva do retrato acima da fidelidade fotográfica.
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