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Revolver, dos Beatles, completa 60 anos de lançamento

Sétimo álbum do grupo britânico foi concebido pouco tempo antes da banda parar de fazer shows

Álbum da banda britânica completa 60 anos em agosto (Créditos: Reprodução/Alpha Coders)

Nesta terça-feira (5), o álbum Revolver da banda Os Beatles completa 60 anos de lançamento. O sétimo álbum de estúdio do grupo foi gravado em um período onde a Beatlemania já não estava mais podendo ser sustentada pelos integrantes e as turnês estavam prestes a acabar. O contexto dos Beatles em 1966 Quando os Beatles […]

Nesta terça-feira (5), o álbum Revolver da banda Os Beatles completa 60 anos de lançamento. O sétimo álbum de estúdio do grupo foi gravado em um período onde a Beatlemania já não estava mais podendo ser sustentada pelos integrantes e as turnês estavam prestes a acabar.

O contexto dos Beatles em 1966

Quando os Beatles começaram a gravar Revolver, em abril de 1966, a banda vivia uma fase de transição. Após anos de lançamentos, filmes, entrevistas e turnês em um ritmo intenso, os quatro músicos estavam cada vez mais insatisfeitos com a rotina da Beatlemania, uma espécie de fenômeno de histeria e adoração direcionado a banda. 

Os shows eram curtos, cercados por problemas de segurança e realizados com sistemas de som incapazes de competir com os gritos do público, o que tornava difícil até mesmo ouvir os próprios instrumentos no palco.

Fora dos estúdios, o período também estava sendo marcado por tensões. Durante a turnê internacional de 1966, o grupo enfrentou protestos no Japão, uma saída caótica das Filipinas e a repercussão da declaração de John Lennon de que os Beatles estavam “mais populares que Jesus”. A frase provocou uma reação extremamente negativa nos Estados Unidos, o que piorou o desgaste dos integrantes com a exposição pública e as viagens.

Ao mesmo tempo, cada um dos integrantes passava por transformações pessoais e artísticas. John Lennon demonstrava interesse por psicodelia, George Harrison pulava de cabeça em seus estudos sobre música e espiritualidade e Paul McCartney se aproximava mais da música experimental.

Poucas semanas após o lançamento de Revolver, a banda realizou seu último show comercial, em agosto de 1966, abandonando definitivamente as turnês para concentrar sua criatividade no estúdio.

Como Revolver foi concebido e mudou a música

O álbum nasceu a partir da ideia de que o estúdio poderia ser mais do que um lugar para apenas “registrar uma apresentação”. Ao lado do produtor George Martin e dos engenheiros musicais Geoff Emerick e Ken Townsend, os Beatles passaram a tratar equipamentos, fitas e processos de gravação como instrumentos musicais e não meros instrumentos de captação. 

Capa do álbum Revolver, da banda Os Beatles

Capa do álbum Revolver, da banda Os Beatles (Créditos: Reprodução/Spotify)

Mesmo com equipamentos limitados para os padrões atuais, os Beatles encontraram outras formas de revolucionar a música. Eles gravavam diferentes instrumentos e vozes por cima uns dos outros, reproduziam fitas ao contrário, aceleravam ou diminuíam as gravações e repetiam pequenos trechos sonoros. 

Também foi utilizada uma técnica que criava automaticamente uma segunda camada da voz, dando a impressão de que o cantor havia gravado a mesma parte duas vezes.

Esses recursos permitiram a criação de músicas que não poderiam ser reproduzidas da mesma forma em um palco, já adiantando a nova era sem shows da banda. Em “Tomorrow Never Knows”, por exemplo, diferentes loops foram adicionados simultaneamente durante a mixagem, enquanto a voz de Lennon passou por um alto-falante giratório. 

“I’m Only Sleeping” conta com guitarras gravadas de maneira mais metódica para serem reproduzidas ao contrário, e “Eleanor Rigby” substituiu a formação tradicional de rock por uma construção com oito instrumentos de corda, como violinos, violas e violoncelos, posicionados bem perto dos microfones para produzir um som mais forte.

Esse trabalho mostrou na época que um álbum poderia ser lançado como uma obra por si só, sem a obrigação de reproduzir o som de uma banda ao vivo

Além disso, sua combinação de rock, música indiana, soul, e experimentação eletrônica aumentou os limites do que era pop na época e também influenciou o rock psicodélico, a música progressiva, a produção eletrônica, o uso de samples e toda uma cultura baseada na manipulação de sons em estúdio.

O tamanho e prêmios do álbum

De acordo com uma estimativa da ChartMasters, o álbum conta com aproximadamente 14,623 milhões de vendas em todo o mundo.

Quando foi lançado, no mercado britânico, o álbum estreou nas paradas diretamente na 1ª posição, permaneceu sete semanas no topo, ficou 21 semanas no Top 10 e ficou 34 semanas nas paradas, entre agosto de 1966 e abril de 1967.

Nos EUA, a Associação Americana da Indústria de Gravação (RIAA) registrou Revolver como cinco vezes Platina, equivalentes a pelo menos 5 milhões de unidades certificadas no país. Já no Reino Unido, o álbum é três vezes Platina, correspondente a pelo menos 900 mil unidades certificadas pelos critérios da Indústria Fonográfica Britânica (BPI).

Mesmo após 6 décadas, o álbum continua em alta. A edição remixada e expandida, lançada em outubro de 2022, voltou à Billboard 200 na 4ª posição e movimentou 54 mil unidades nos EUA. No Reino Unido, reedição alcançou a 2ª colocação, atrás apenas de Midnights, de Taylor Swift, durante a semana de 4 a 10 de novembro de 2022.

No Grammy de 1967, Klaus Voormann, artista responsável pela capa, venceu a categoria de Melhor Capa de Álbum, Artes Gráficas, pelo desenho e pela fotomontagem em preto e branco. Ele também foi indicado a álbum do ano, mas perdeu para A Man and His Music, de Frank Sinatra.

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