Nesta quarta-feira (12) é comemorado o Dia Internacional do Vinil, e os “bolachões” vêm ganhando o centro das atenções no mundo da música com o passar dos anos. Seja em uma coleção pessoal, em álbuns que ocupam um espaço especial no coração, no acervo antigo dos mais velhos ou na loja do seu artista favorito, […]
Nesta quarta-feira (12) é comemorado o Dia Internacional do Vinil, e os “bolachões” vêm ganhando o centro das atenções no mundo da música com o passar dos anos. Seja em uma coleção pessoal, em álbuns que ocupam um espaço especial no coração, no acervo antigo dos mais velhos ou na loja do seu artista favorito, é difícil não esbarrar com esse item.
Compras do vinil vêm crescendo continuamente há quase duas décadas
De acordo com uma pesquisa da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) de 2025, as receitas ao redor de todo o mundo com discos de vinil cresceram 13,7% em apenas um ano, completando 19 anos consecutivos de expansão, enquanto a indústria global de música gravada chegou a US$ 31,7 bilhões, que equivale a aproximadamente R$ 161,01 bilhões.
Já nos Estados Unidos, a Associação Americana da Indústria de Gravação (RIAA) mostrou que o mercado também está crescendo. Em 2025, 46,8 milhões de unidades de vinil, contra 29,5 milhões de CDs, foram vendidas. Isso revela não só um domínio das mídias físicas, mas também que, mesmo com o streaming sendo a principal forma de escutar música atualmente, o mercado físico continua registrando vendas.
No Reino Unido, a Indústria Fonográfica Britânica (BPI) também registrou alta no formato. Em 2025, as vendas chegaram a 7,6 milhões de LPs, uma alta de 13,3%. O mercado britânico de vinil atualmente é mais de 30 vezes maior do que era em 2008, quando começou sua retomada.
No Brasil, o cenário também acompanhou essa tendência ao longo dos anos. Em 2022, a Pró-Música (antiga Associação Brasileira dos Produtores de Discos) informou que o vinil movimentou cerca de R$ 4,7 milhões em vendas de produtos novos, e em 2023 a receita saltou para R$ 11 milhões, com um crescimento de impressionantes 136,2% em um ano. Foi nessa época que o vinil ultrapassou o CD, que faturou aproximadamente R$ 5 milhões, e se tornou o formato físico de música de maior faturamento no país.
Em 2024, o mercado dos LPs continuou aumentando, com cerca de R$ 16 milhões em vendas, alta de aproximadamente 45,6%, enquanto todas as mídias físicas juntas movimentaram R$ 21 milhões. Em 2025, as vendas físicas no ramo fonográfico cresceram 25,6%, novamente puxadas pelo vinil. Na mesma época, o país passou a ser o oitavo maior mercado mundial de música gravada.
O que explica a alta do formato?
Não existe um único fator que explique o motivo do vinil ter entrado em alta nos últimos anos, mas existem algumas características do mercado musical que ajudam a entender por que o segmento dos LPs cresceu tanto.
Uma pesquisa global da IFPI perguntou aos compradores por que eles gostavam de discos de vinil. Do total, 40% citaram o prazer de colecionar, 31% o ritual de colocar o disco para tocar, 30% a experiência de mergulhar em um álbum completo e 21% a possibilidade de ler encartes e materiais adicionais.
O colecionismo é algo que existe em diversos nichos mundo afora, não apenas no mundo da música, o que torna o vinil uma porta de entrada mais acessível para quem quer ter um contato maior com o ramo fonográfico.
Outro ponto importante são os sentimentos envolvidos, seja na hora de realizar o ritual de preparo para escutar um vinil, seja em achar seu álbum favorito em uma loja de música, sentimentos esses totalmente anulados pelo meio digital.
A experiência proporcionada vai muito além de apenas escutar música como é feito comumente nos fones de ouvido, ela se torna algo único que é apreciado de forma tátil e visual.
O ato de pegar e escolher um vinil em uma prateleira, olhar para sua capa, colocá-lo cuidadosamente em seu aparelho de som, e ouvir a melodia enquanto folheia o livreto que contém a identidade visual de um álbum – ou algumas vezes até as letras – transforma totalmente o simples ato de escutar música em algo único e mais prazeroso. Isso cria uma conexão maior entre o ouvinte e a música, algo que não se vê tão presente na rapidez dos streamings.
Outro fator é a chamada economia dos “superfãs”. Edições limitadas, diferentes cores do mesmo álbum e versões exclusivas permitem que artistas monetizem a parcela mais apaixonada de sua audiência de uma maneira impossível com uma simples reprodução no streaming.
Muito se fala de nostalgia, mas o vinil pode estar criando uma tendência de mercado ao invés de apenas resgatar sentimentos antigos, e isso pode ser visto na venda de LPs de artistas mais novos. No Reino Unido, seis dos dez vinis mais vendidos de 2025 eram lançamentos dos dois anos anteriores. A cantora Taylor Swift teve o LP mais vendido do ano, com mais de 147 mil unidades.
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