A Semana de Moda de Milão começou nesta terça-feira (22) com os olhos da indústria voltados para as coleções Primavera/Verão de 2027. Até a próxima segunda-feira (28), a cidade italiana recebe uma sequência de desfiles, apresentações e eventos de algumas das principais grifes do mundo, como Prada, Fendi, Gucci, Moschino, Dolce & Gabbana, Bottega Veneta e Giorgio Armani.
Prada abre a Semana de Moda de Milão
A Prada abriu o evento ao voltar a apostar em um dos pilares da moda: as saias, dando um toque decididamente feminino a uma das peças favoritas da grife de luxo.
Cinzas e plissadas ou verdes e retas, com estampas florais em minissaias que apareciam sob casacos de couro ou eram usadas simplesmente com um sutiã, as peças marcaram a releitura da saia feita por Miuccia Prada e Raf Simons para o desfile da coleção Primavera/Verão 2027.
Sensuais, modernas e, em alguns momentos, irônicas, as saias cravejadas de flores faziam barulho enquanto as modelos desfilavam pela passarela, quase todas de salto alto, sob os olhares de Naomi Watts, Michelle Williams e Uma Thurman na primeira fila.
Prada amplia presença em Milão
O desfile desta terça-feira encerrou uma semana movimentada para a marca de Milão, que inaugurou sua nova loja principal na luxuosa Galleria Vittorio Emanuele II, construída no século 19 e onde a grife nasceu, em 1913.
A marca agora ocupa oito andares, ampliando sua presença para além das boutiques, da confeitaria e do espaço de arte contemporânea. O complexo ganhou uma nova galeria subterrânea, um museu e amplos salões privativos.
A expectativa é oferecer um atendimento ainda mais exclusivo aos clientes mais ricos que fazem compras em Milão, além de criar um espaço sofisticado para a realização de eventos e, ao mesmo tempo, fortalecer a imagem da marca.
Desaceleração no mercado de luxo
Mesmo com o setor de luxo tentando se recuperar de um período difícil provocado pelas tensões macroeconômicas e pela desaceleração prolongada do mercado chinês, a Prada divulgou, em julho, resultados melhores do que o esperado no primeiro semestre de 2026, apesar da redução das margens relacionada à integração da Versace.
Na segunda-feira, Donatella Versace, ex-diretora artística da Versace e atualmente embaixadora da marca, anunciou que lançará um novo projeto de beleza e moda em parceria com a plataforma de prêt-à-porter Revolve, de Los Angeles.
“2026 começou com um janeiro bastante difícil. Mas, felizmente, conseguimos nos manter no segundo trimestre”, afirmou no início deste mês Carlo Capasa, presidente da Câmara Nacional da Moda Italiana, classificando como um “milagre” o fato de o setor continuar de pé diante dos diversos desafios.
A entidade espera uma queda de 1,6% na receita do setor ao longo do ano. Os cosméticos estão em alta, o vestuário apresenta recuperação, mas o segmento de calçados ainda enfrenta dificuldades.
Novidades nas passarelas
Em outros pontos de Milão nesta semana, o mundo da moda aguarda a estreia na Moschino da dupla formada pelo francês Loris Messina e pelo italiano Simone Rizzo, que conquistou reconhecimento da crítica com a marca urbana Sunnei.
Na Gucci, o provocador Demna deve apresentar sua segunda coleção, enquanto Maria Grazia Chiuri também fará sua segunda apresentação à frente da Fendi.
“Muitas casas trocaram de estilistas, o que inevitavelmente desperta interesse no mundo da moda”, disse Toni Belloni, presidente da LVMH Itália.
Novas boutiques movimentam Milão
A poucos passos da nova loja principal da Prada, a revista Vogue realiza nesta terça-feira um espetáculo para celebrar “o artesanato e a criatividade italianos na era da tecnologia”, com a participação do principal bailarino do La Scala, Roberto Bolle, e da modelo americana Alex Consani, entre outras celebridades.
Na vizinha Via Montenapoleone, a Dior também inaugurou sua nova boutique de vários andares, que conta inclusive com um restaurante comandado pelo chef Enrico Bartolini, detentor de estrela Michelin.
Milão tem grande importância para a LVMH, grupo controlador da Dior. Maior conglomerado de luxo do mundo, a empresa já inaugurou nos últimos meses novas lojas de marcas como Louis Vuitton, Tiffany & Co. e Bulgari.
Produção e novas fábricas
O grupo também investiu na Loro Piana, especializada em cashmere, e inaugurou na semana passada uma nova fábrica em Ghemme, aos pés dos Alpes, na região do Piemonte. Quase 200 funcionários trabalham no local produzindo suéteres e outras peças de malha.
Frédéric Arnault, presidente-executivo da Loro Piana e filho de Bernard Arnault, chefe da LVMH, afirmou durante a inauguração que a nova fábrica faz parte do processo de integração vertical da produção de malhas da empresa.
Novos nomes estreiam nas passarelas de Milão
Nas passarelas de Milão, ao lado de nomes tradicionais como Giorgio Armani e Roberto Cavalli, as marcas portuguesas Marques’Almeida e Miguel Vieira farão seus primeiros desfiles, assim como o estilista equatoriano Neithan Ruiz.
Também haverá uma despedida: Glenn Martens apresenta sua última coleção na Diesel, marca que conseguiu reposicionar em um segmento mais sofisticado ao longo dos últimos cinco anos.
O sucessor de Martens ainda não foi anunciado, mas o estilista belga continuará dentro do grupo da Diesel, na Maison Martin Margiela.
Semana de moda movimenta a economia
Além das passarelas, a Semana de Moda de Milão também tem impacto direto sobre a economia da cidade. Para esta edição, a Confcommercio Milano, associação ligada a empresas do setor terciário em Milão, estima uma movimentação de 219,5 milhões de euros em gastos turísticos, sendo 100,8 milhões destinados a compras, 85,4 milhões a hospedagem e alimentação e 32,9 milhões a transportes.
A expectativa é receber cerca de 140,9 mil visitantes, com crescimento de 22% no número de estrangeiros em relação ao ano passado. A entidade estima ainda uma queda de 8% na movimentação de gastos turísticos em comparação com setembro de 2025.
Os números das edições anteriores ajudam a mostrar por que o evento continua relevante para Milão, quando somadas, as duas semanas de moda feminina realizadas em 2025 movimentaram 423,6 milhões de euros em gastos turísticos, alta de 7,1% em relação a 2024, e atraíram quase 262 mil visitantes.
Apenas a edição de setembro daquele ano respondeu por 238,9 milhões de euros, com 46% dos gastos concentrados em compras e outros 39% em hospedagem e alimentação.
A importância da semana também está ligada ao peso da própria indústria italiana da moda, que atravessa um período de desaceleração. A Camera Nazionale della Moda Italiana estima que o setor encerre 2026 com faturamento de cerca de 91,4 bilhões de euros, queda de 1,6% em relação a 2025.
(Com informações da AFP)
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