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Marco Nanini volta ao teatro e reflete sobre o tempo

Aos 77 anos, Marco Nanini volta ao palco com O Traidor, e reflete sobre envelhecimento, memória e finitude diante do caos da era digital

Foto: Alex Silva/Estadão
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  • Marco Nanini, 77, volta aos palcos em São Paulo com a peça O Traidor, dirigida por Gerald Thomas, em cartaz no Teatro Moise Safra.
  • A temporada é curta: vai de 12 a 22 de junho, com sessões nos dias da semana e fins de semana na Barra Funda.
  • Em cena, o ator vive um homem atormentado pela modernidade, com reflexões sobre tecnologia, consumo, guerras e isolamento digital, acompanhado por uma voz em off e um boneco com seu rosto.
  • Nanini usa cadeira de rodas na peça e encara dores relacionadas a uma operação no menisco, além de comentar de forma natural a finitude e ao envelhecimento.
  • Em entrevista, ele destaca ter mais de seis décadas de carreira e afirma que a memória tem falhas, mantendo o foco no presente e no trabalho contínuo no teatro, televisão e cinema.

Marco Nanini retorna aos palcos em São Paulo com a peça O Traidor, escrita e dirigida por Gerald Thomas. A curtíssima temporada estreia hoje no Teatro Moise Safra, na Barra Funda, e segue até o dia 22 de junho, com sessões variando entre quinta, sexta, sábado e domingo.

A atuação de Nanini coloca um homem atormentado pela vida contemporânea em cena, ao lado de quatro colegas e uma voz off. No palco, ele surge usando uma cadeira de rodas, recurso proposital para a passagem de um personagem sem reações físicas mais firmes. O cenário inclui ainda um grande boneco com o rosto do ator.

A produção descreve a obra como fragmentada e elástica, sem uma linha única. Nanini destaca a complexidade do papel e a colaboração com Gerald Thomas para dar unidade ao personagem. A narrativa aborda tecnologia, consumismo, guerras e isolamento digital, sob a ótica de um homem imerso em alucinações.

Entre as dificuldades da temporada, Nanini comenta a recente cirurgia no menisco, que o acompanha durante os ensaios. O ator, com 77 anos, mantém postura serena diante do tempo que passa, valorizando a rotina de trabalho e a convivência com a equipe de produção liderada por Fernando Libonati, com quem trabalha há décadas.

A carreira de Nanini soma mais de 60 anos, com atuações no teatro, na televisão e no cinema. Ao longo da entrevista, ele relembra aprendizados de bastidores, experiências de vida e a influência de colegas como Ney Latorraca, que trabalhou junto em projetos passados. Sobre o futuro, ele diz que pretende continuar atuando, desde que o personagem seja desafiador e não excessivamente trabalhoso.

> O Traidor explora o papel do ator e a humanidade, segundo a visão do diretor Gerald Thomas. A peça é apresentada como um “carnaval” de alucinações, com cenas que se sucedem como posts de Instagram, refletindo a multiplicidade de percepções que cada espectador traz.

Nanini comenta também sobre temas sociais e políticas e recorda visitas a Brasília para apoiar colegas em discussões legislativas. Ele revela cautela com a exposição pública nas redes, especialmente em relação a conteúdos gerados por inteligência artificial, e afirma não desejar que sua voz ou imagem sejam replicadas no futuro.

No campo pessoal, o ator fala de seus bichos de estimação, da natureza e de como a vida, a memória e a finitude convivem de modo natural. Ao final, reforça que a atuação é seu modo de viver intensamente cada personagem, sem abrir mão da verdade em cena.

O Traidor

Quando: de 12/6 a 22/6. Quinta e sexta, 20h; Sábado, 17h e 20h; Domingo, 16h e 19h

Onde: Teatro Moise Safra, Barra Funda, SP

Quanto: R$ 250

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