- França discute como prestar homenagem a Brigitte Bardot, lenda do cinema cuja imagem gerou polêmica por posicionamentos de extrema-direita.
- Bardot morreu aos 91 anos, no domingo, em sua casa no sul da França; o funeral ainda não tem data definida e ocorrerá em Saint-Tropez.
- Ao longo da vida, ela deixou o cinema em 1973 para defender direitos dos animais e foi condenada cinco vezes por discurso de ódio.
- Reações políticas foram divididas: Emmanuel Macron elogiou Bardot como uma lenda do cinema; Marine Le Pen a descreveu como “incrivelmente francesa”; a esquerda permaneceu mais contida.
- A prefeitura de Saint-Tropez confirmou que Bardot será sepultada em cemitério local, em frente ao Mediterrâneo, perto dos pais; a família já está na cidade preparando o funeral.
França discute como homenagear Brigitte Bardot, dada a combinação de seu legado no cinema e as controvérsias associadas a posicionamentos de extrema-direita. A atriz faleceu aos 91 anos na noite de domingo, na casa em que morava, no sul do país. A notícia mobilizou reações internacionais e gerou debates sobre o tom das homenagens.
Bardot ficou famosa em 1956 com E Deus Criou a Mulher e atuou em quase 50 filmes. Ao deixar o cinema em 1973, dedicou-se à defesa dos animais. Nos últimos anos, manifestou apoio a discursos de extrema-direita, o que dividiu opiniões entre políticos e setores da sociedade.
A imprensa destacou que Bardot morreu antes do amanhecer, acompanhada do quarto marido, Bernard d’Ormale, antigo assessor da extrema-direita. Um representante de sua fundação de proteção aos animais confirmou o falecimento e mencionou uma despedida íntima.
Em Paris, o presidente Emmanuel Macron enalteceu Bardot como uma lenda do cinema e associou-a a uma vida de liberdade, gerando interpretações distintas sobre o legado da atriz. A reação de partidos de direita e de esquerda seguiu com tom diverso.
Entre as vozes de apoio, Marine Le Pen descreveu Bardot como extremamente francesa, livre e íntegra. Le Pen já contou com o apoio da atriz nas eleições de 2012 e 2017, quando comparou Bardot a uma Joana d’Arc contemporânea.
Alguns representantes da esquerda, porém, foram mais reservados. O deputado Philippe Brun, do PS, ressaltou a importância histórica de Bardot sem comentar as polêmicas. Já a deputada ecologista Sandrine Rousseau criticou o que chamou de cinismo político.
O New York Times destacou que Bardot não era figura de consenso, marcando-a como uma das primeiras celebridades a provocar debates políticos intensos na era moderna. O texto de opinião questionou a relação entre carinho público e controvérsia ideológica.
Ainda não há consenso sobre um tributo nacional. O deputado Éric Ciotti, da direita, chegou a sugerir uma homenagem de alto porte, semelhante à realizada para Johnny Hallyday, mas a ideia não avançou até o momento.
Enterro vai ocorrer em Saint-Tropez. Bardot desejava ser enterrada no jardim, com uma cruz de madeira, ao lado de seus animais, para evitar aglomerações. A prefeitura local informou que a cerimônia ocorrerá em um cemitério próximo ao Mediterrâneo.
Parentes da atriz já se encontram em Saint-Tropez para organizar a despedida, conforme fontes próximas. Bardot nasceu em Paris, em 28 de setembro de 1934, e teve uma carreira marcada por polêmicas e serviços públicos de proteção animal.
A cantora e atriz acabou por adotar a vida tranquila em Saint-Tropez, destacando-se por defender os animais. Em 2024, aos 90 anos, declarou orgulho pelo primeiro capítulo da vida, ao lembrar que a fama ajudou a ampliar sua causa animal.
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