- Gathie Falk, artista canadense, morreu em Vancouver no dia 22 de dezembro aos 97 anos.
- Sua obra combinou pintura com toque surrealista, cerâmica artesanal e instalações, destacando o cotidiano como tema central.
- Séries e obras marcantes incluem Cement With Poppies (1982), peças de sapatos em fileiras e as esculturas de frutos cerâmicos, além das instalações em que usava objetos do dia a dia.
- Falk ganhou mais de cinquenta exposições solo e integra coleções de grandes museus canadenses; recebeu a Ordem do Canadá (1997), a Ordem da Colúmbia Britânica (2002) e o Prêmio Governor General’s Award em Artes Visuais (2003).
- Sua retrospectiva mais recente, Gathie Falk: Revelations (2022–2024), percorreu instituições como McMichael, Glenbow e Audain Art Museum.
Gathie Falk, renomada artista canadense, faleceu em 22 de dezembro na sua casa, em Vancouver. Ao longo de seis décadas, sua prática transpassou pintura com contorno surrealista, cerâmica artesanal, instalações escultóreas e performances, sempre com uma leitura lúdica, poética e precisa do cotidiano.
Nascida em Manitoba, em 1928, Falk cresceu em meio a uma família Mennonite de recursos limitados. O início humilde moldou um interesse pela habilidade manual e pela transformação de objetos simples em peças únicas. Em Vancouver, ela consolidou uma linguagem visual marcada pela apreciação do comum.
Sua trajetória ganhou impulso aos 40 anos, com a mostra Living Room, Environmental Sculpture and Prints (1968) no Douglas Gallery. A exposição reuniu silkscreens, objetos domésticos e itens reimaginados, abrindo espaço para uma leitura ambiciosa do ambiente familiar.
Trajetória e linguagem
Entre suas séries mais conhecidas estão Cement With Poppies (1982), com papoulas que invadem cenas de calçada, e 55 Oranges (1969-70), com composições de frutas em formatos quase escultóricos. Em obras como Picnics (1976-77) e as instalações de sapatos alinhados, Falk explorou a memória afetiva e a engenharia poética do cotidiano.
A artista também criou performances e obras de grande instalação, como a intervenção com o carro Ford antigo do marido em uma mostra de 1977 e instalações que brincavam com a gravidade e o peso de objetos comuns. Seu trabalho foi marcado pela fusão entre o mundo doméstico e o surreal, com um toque de humor.
Reconhecimento e legado
Falk realizou mais de 50 exposições solo e integrou coleções de importantes instituições canadenses, como a National Gallery of Canada e a Art Gallery of Ontario. Entre as honrarias, recebeu o Order of Canada (1997) e o Governor General’s Award in Visual and Media Arts (2003).
Sua última grande retrospectiva, Gathie Falk: Revelations (2022-2024), percorreu o McMichael, Glenbow e Audain Art Museum, consolidando sua importância no panorama artístico do Canadá. Pesquisadores destacam sua influência única, muitas vezes associada a uma leitura não convencional do Pop Art.
Contexto histórico
Milroy, que coordena a retrospectiva recente, aponta que Vancouver dos anos 1960 e 70 era um polo de ideias que dialogavam com a cena de Toronto e Montreal. O entorno incluía a Vancouver Art Gallery, galerias locais e a comunidade Fluxus, que ajudaram a moldar Falk.
Curadores ressaltam que Falk foi subestimada na história da arte canadense. Embora às vezes associada ao Pop, sua prática foi mais inspirada pela educação Mennonite e pela valorização do feito à mão, pelo encanto pelo cotidiano e pela cor vibrante.
- Gathie Falk nasceu em Alexander, Manitoba, em 31 de janeiro de 1928. Casou-se com Dwight Swanson em 1974, divorciou-se em 1979, e faleceu em Vancouver, BC, em 22 de dezembro de 2025.
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