- A exposição “Beryl Cook: Pride and Joy” no The Box, em Plymouth, fica até trinta e um de maio e reúne mais de oitenta pinturas, além de esculturas, têxteis e um arquivo pessoal.
- A mostra busca colocar Cook no cânone da arte ocidental, destacando vínculos com Rubens e Modigliani e celebrando o centenário de seu nascimento.
- O curador Terah Walkup afirma que a abordagem é de historiadores de arte e envolve contextualizar a obra de Cook, que retratou pessoas marginalizadas e comunidades como agentes de alegria.
- Em paralelo, a Karst gallery apresenta “Discord and Harmony” (até dezoito de abril), com artistas como Olivia Sterling, Rhys Coren e Flo Brooks, enfatizando temas de comunidade e momentos de alegria.
- As exposições destacam a mudança de visão sobre Cook, que já teve obras adquiridas pela Government Art Collection e pela National Portrait Gallery, fortalecendo seu papel na história da arte.
Beryl Cook, a pintora britânica morta há alguns anos, ganha nova leitura histórica com duas exposições em Plymouth, cidade onde viveu grande parte da vida. As mostras reavaliam temas, influências e a relação da artista com a cultura local.
A mostra principal ocorre no The Box, em Plymouth, com o título Pride and Joy. A exposição celebra o centenário de nascimento de Cook e reúne mais de 80 pinturas, além de esculturas, têxteis e um acervo pessoal de fotos, esboços e cartas. O conjunto busca situar Cook no cânone ocidental da arte. A curadora Terah Walkup orienta a contextualização histórica de sua obra.
Segundo Walkup, não basta contar a trajetória da artista; é preciso analisar a produção com o olhar de historiadores da arte. A curadora destaca que Cook tratou de comunidades marginalizadas, como trabalhadores, LGBTQIA+ e mulheres idosas, explorando a alegria como eixo de sua obra. Essa leitura reforça o papel social de suas imagens.
Contexto histórico e referências
As obras de Cook dialogam com mestres antigos, incluindo Rubens, cuja obra de mulheres volumosas é citada para traçar paralelos com a própria prática de Cook. Um quadro de Rubens e uma peça de Brueghel, em empréstimo, ajudam a situar a artista no circuito de referências clássicas. Cook também mostrou interesse por Modigliani e Tamara de Lempicka, entre outros.
A mostra preserva o enfoque teatral de Cook ao retratar a vida recreativa de Plymouth, com cenas de bares e clubes onde a comunidade LGBTQ encontrou espaço de expressão. A curadora afirma que o acervo de Cook pode ser lido como um arquivo histórico de identidades e de lutas sociais ocorridas ao longo das décadas.
Outras frentes em Plymouth
Paralelamente, a Karst Gallery apresenta Discord and Harmony, até 18 de abril, reunindo artistas como Olivia Sterling, Rhys Coren e Flo Brooks. O texto de apoio enfatiza que, assim como Cook, esses artistas valorizam comunidade, individualidade e momentos de alegria entre pessoas pouco representadas pela história da arte.
A imprensa tem revisitado a figura de Cook, antes alvo de críticas no início de sua valorização histórica. Revisões recentes destacam a presença de afeto genuíno na obra, especialmente em retratos de família, sem abrir mão da vivacidade e da ironia que marcaram a produção da pintora.
Além disso, o conjunto expositivo reforça o papel de Cook como precursora de uma visão mais inclusiva da arte britânica do século XX. Instituições públicas já possuem obras da artista em acervos, como a Government Art Collection e a National Portrait Gallery, consolidando a nova leitura crítica de sua obra.
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