- Kristin Scott Thomas acusou críticos de teatro masculinos de não entender peças escritas por mulheres e sobre mulheres.
- Ela fez as declarações ao receber o prêmio inaugural leading light no Women’s prize for playwriting, em Londres, que reconhece a trajetória de mulheres nas artes.
- A atriz citou seu monólogo sobre menstruação na peça Fleabag, de Phoebe Waller-Bridge, como exemplo de interesse por histórias femininas contadas por mulheres.
- Também comentou sobre Lyonesse, de Penelope Skinner, encenada em 2023 no Harold Pinter Theatre, que dividiu críticos apesar de atrair o público; disse que muitos críticos eram homens que não entendem a vida de mães trabalhadoras.
- Ellie Keel, produtora e cofundadora do prêmio, afirmou que as peças escritas por mulheres costumam ter recepção crítica diferente, ressaltando que o desafio não é apenas ter mais críticas femininas, mas melhorar a qualidade.
Kristin Scott Thomas criticou, em Londres, a percepção dos críticos de teatro masculinos sobre peças escritas por mulheres e sobre temas femininos. A artista fez as declarações ao receber o prêmio inaugural de destaque para mulheres nas artes, durante a cerimônia do Women’s Prize for Playwriting. O reconhecimento celebra conquistas duradouras de mulheres no cenário cultural.
Ela citou a peça Lyonesse, de Penelope Skinner, apresentada no Harold Pinter Theatre em 2023, como exemplo de recepção crítica polarizada, com plateias marcando presença apesar das críticas negativas. Scott Thomas apontou que muitos comentários vieram de homens que, segundo ela, não compreendem a experiência de mães que trabalham ou de atrizes sem filhos.
A atriz destacou a importância de narrativas femininas e da escrita de Phoebe Waller-Bridge como ferramenta para ampliar o debate público. Segundo ela, cenas sobre menstruar e metáforas associadas ajudaram a trazer questões antes marginalizadas para o centro de discussões e até influenciar mudanças legais.
Contexto e dados sobre o prêmio
O Women’s Prize for Playwriting foi criado em 2019 para enfrentar a desigualdade de gênero no teatro, com produtores reconhecendo a sub-representação de mulheres entre dramaturgas e em cargos criativos seniores. Estudos revelam persistentes barreiras estruturais que afetam carreira das profissionais, como responsabilidades de cuidado e oportunidades de encomenda de obras.
Declarando-se ao final da cerimônia, a produtora Ellie Keel, cofundadora do prêmio, concordou com a percepção de tratamento diferente a obras de mulheres. Ela lembrou que Lyonesse, embora recebido com críticas diversas, não refletia necessariamente a qualidade real da peça, destacando padrões duais de avaliação entre críticos homens e mulheres.
A crítica de Scott Thomas também ressaltou a necessidade de uma produção mais ampla de autoria feminina, com influência de Waller-Bridge para ampliar debates sobre representação e políticas culturais. A artista afirmou compromisso contínuo com o incentivo a criadoras, sem oferecer julgamentos sobre o papel dos críticos.
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