- Tracey Emin, após diagnóstico de câncer em 2020, mudou-se para Margate, criou uma fundação e prepara uma exposição na Tate Modern que percorre quatro décadas de carreira, chamada Tracey Emin: A Second Life, de 27 de fevereiro a 31 de agosto.
- Ela descreve a cirurgia extensa para remover a bexiga e outros procedimentos, além de conviver com uma bolsa de urostomia; relata vida diária com infecções e limitações, mas aponta que a arte continua central.
- Emin abandonou o álcool há quase seis anos, parou de fumar e hoje enfatiza a arte como origem de sentido, apoio à comunidade e autonomia pessoal; é atuante politicamente, apoiando o Labour e criticando Reform.
- A mostra na Tate Modern reúne obras desde os primeiros dias, incluindo My Bed e trabalhos sobre aborto, além de fotos de seu corpo pós-operatório; também aborda o tema do assédio e da violência sexual vividos pela artista.
- Fora do estúdio, Emin lidera um eixo de atuação em Margate com flats para artistas a baixo custo, escola de arte, galeria e projetos comunitários que visam revitalizar a região, mantendo o foco em educação e empoderamento.
Tracey Emin pode ser vista como uma das artistas mais relevantes da geração que revolucionou a arte britânica, e agora apresenta em Tate Modern uma mostra que percorre 40 anos de carreira. Em conversa publicada, Emin fala sobre saúde, vida em Margate, projetos filantrópicos e perspectivas para o futuro da cultura no país.
A entrevista acompanha a preparação de Tracey Emin para a exposição Tate Modern: Tracey Emin: A Second Life, que ocorre de 27 de fevereiro a 31 de agosto. O texto descreve o retorno da artista a Margate, onde mora hoje, e os desdobramentos de sua obra desde os anos 1990, incluindo obras marcantes como My Bed. A mostra não se apresenta como retrospectiva, mas como uma síntese de momentos-chave de sua produção.
Tracey Emin vive em Margate, no litoral de Kent, desde a experiência quase fatal de 2020, quando recebeu diagnóstico de câncer de células escamosas. A cirurgia incluiu remoção de vesícula, histerectomia, retirada de linfonodos e parte de estruturas intestinais, além de uma urostomia. A artista relata lidar diariamente com complicações, como infecções urinárias e exigência de cuidado constante com o cateter.
Em entrevista, Emin descreve o impacto da doença na qualidade de vida, incluindo a necessidade de levar itens médicos em viagens e a dificuldade de manter a espontaneidade. Mesmo diante dos desafios, diz ter encontrado um novo senso de propósito, centrado na prática artística, no apoio a jovens artistas e na construção de uma rede cultural em Margate por meio de uma fundação e de espaços de residência artística.
A visão sobre a relação entre arte e sociedade também aparece na conversa. Emin comenta a importância de educação como ferramenta de combate à pobreza, relembra aspectos de sua trajetória de vida, desde a infância com dificuldades financeiras até a entrada na Royal College of Art, e comenta os episódios de violência vividos na juventude, incluindo situações de assédio e estupro.
A exposição e o significado da mostra
A curadoria de A Second Life enfatiza a amplitude de quatro décadas de produção, incluindo trabalhos como My Bed e séries de fotografias de seu corpo após a cirurgia. A mostra também traz obras sobre aborto, tema presente na carreira da artista desde os anos 1990, e inclui registros de sua produção de filmes e instalações que marcaram momentos polêmicos no passado.
O planejamento de Emin para o evento envolve uma montagem que permite ao público observar mudanças técnicas e temáticas ao longo do tempo, sem abandonar a força emocional que marca sua obra. A artista destaca que, apesar de críticas passadas sobre egocentrismo, a leitura contemporânea tende a reconhecer a complexidade de sua produção.
Perspectivas políticas e comunitárias
A entrevista aborda ainda o cenário político atual e a atuação de Emin em Margate, onde participa de iniciativas culturais e de um festival de arte de inverno. A artista critica a ascensão de movimentos de direita e expressa preocupação com o impacto de políticas sobre o financiamento público à cultura, enfatizando que a arte tende a resistir mesmo em contextos adversos.
Emin reforça que a solução para desigualdades passa pela educação e pela criação de oportunidades para jovens artistas. Com foco no espaço local, ela ressalta a importância de transformar Margate em polo cultural, mantendo a autonomia de sua prática artística e o compromisso com a comunidade.
Tracey Emin: A Second Life fica em cartaz no Tate Modern de 27 de fevereiro a 31 de agosto. O jornal mantém parceria com o museu para acesso a entradas com benefício.
My Heart is This: Tracey Emin on Painting, de Martin Gayford, é título de livro publicado pela Thames & Hudson e já tem edição disponível no mercado.
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