- Tracey Emin inaugura a exposição Second Life no Tate Modern, após recusar o Tate Britain por não representar desafio suficiente.
- A mostra aborda, de forma tematicamente pessoal, a herança multicultural de Emin e o racismo que ela e sua família sofreram; a artista afirma que não gosta de comportamentos racistas que dividem o país.
- Emin comenta a atuação de Nigel Farage em Margate, dizendo que há pessoas mais inteligentes e politicamente atentas na cidade para impedir sua vitória.
- A artista defende a manutenção do acesso gratuito a museus e incentiva doações para ampliar a participação de quem tem menos recursos; também atua como membro do British Museum, cobrando modernização e enfrentamento do passado colonial.
- O tema colonial é destacado, com menção a debates sobre repatriação de itens como os Benin Bronzes e as Marbles do Parthenon; a exposição já percorre a Europa e terá turnê à Coreia do Sul, com planos para os Estados Unidos não concretizados.
Tracey Emin estreia a exposição Second Life no Tate Modern e aborda temas como racismo, política britânica e o passado colonial de museus. A artista explica por que recusou o Tate Britain e escolheu o espaço londrino para um mergulho temático e pessoal em sua trajetória.
A mostra não é uma retrospectiva. Sob a curadoria de Harry Weller, acompanhada pela diretora exiting Maria Balshaw e pela equipe do museu, o projeto foca em narrativas multiculturais e nos desdobramentos do racismo que a artista já vivenciou.
Em entrevista durante a pré-estreia, Emin apontou a ascensão do Reform UK e comentou o impacto político na opinião pública, mencionando a atuação de Nigel Farage na região costeira de Margate, cidade natal da artista. Ela reforçou que o eleitorado local é politicamente atento.
Margate, cidade onde Emin cresceu e voltou a morar em 2020, é tema de debate par alto impacto econômico com a inauguração de espaços culturais, incluindo o Turner Contemporary e projetos de residência artística. Segundo a artista, a arte contribui para a revitalização e geração de empregos, ainda que a pobreza persista para parte da população local.
Emin ressaltou que instituições de arte devem manter acesso público, defendendo que museus sejam financiados por adesões e doações que ampliem o acesso para quem não pode pagar. Ela, que deixou a escola aos 13 anos, lembra a importância de facilitar a entrada de jovens às coleções.
Como conselheira do British Museum, Emin reconhece o peso do passado colonial da instituição e aponta a necessidade de modernização sob a liderança do novo diretor Nick Cullinan e de uma governança mais ampla. O tema de repatriação de artefatos permanece polêmico, com debates sobre itens como os Benin Bronzes.
Para o futuro, a cantora de exibição segue com a turnê da mostra do Tate Modern, que terá passagem pela Louisiana Museum, na Dinamarca, em outubro, e pelo Hoam Museum, na Coreia do Sul. Planos para uma apresentação no Guggenheim, em Nova York, não avançaram, por questões de espaço e adequação institucional.
O debate sobre arte, história e memória pública continua sendo central na agenda de Emin. A artista afirmou que, apesar de o espírito romper com a radicalidade de juventude, a promoção da liberdade de pensamento e expressão permanece crucial, especialmente em residências artísticas.
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