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Artesão responsável pelas joias de Picasso é revelado

Francois Hugo, artesão francês, traduziu desenhos de Picasso em joias de ouro pelo repoussé, levando o ateliê Hugo a SP-Arte e coleções mundiais

O artesão por trás das joias de Picasso
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  • Nos anos cinquenta, Picasso pediu a um dentista que fundisse algumas pequenas peças em ouro, iniciando a parceria com François Hugo, ateliê em Aix-en-Provence.
  • Hugo, bisneto de Victor Hugo, manteve o ateliê familiar e já trabalhava com botões de metal e bijuterias para grandes maisons como Lanvin, Schiaparelli, Dior e Hermès.
  • A colaboração com Schiaparelli resultou em mais de três mil desenhos ao longo de doze anos; durante a Segunda Guerra, Hugo criou peças com latão, cerâmica e plásticos devido à escassez de materiais.
  • Hoje o ateliê é comandado por Nicolas Hugo, com apoio da esposa Elvire e da empresária Gabriela Paschoal; o projeto estreia no Brasil durante a SP-Arte, de oito a doze de abril, em parceria com a Gomide & Co.
  • Cerca de trinta peças — joias, medalhões e objetos — serão apresentadas, todas numeradas e produzidas em pequena escala, mantendo o processo manual e o gesto dos artistas.

Nos anos 1950, Picasso buscou transformar seus desenhos em peças de metal. Um dentista fez as primeiras experiências em ouro, e o gênio espanhol gostou do resultado. Em seguida, procurou alguém que pudesse dedicar-se integralmente ao projeto.

O escolhido foi François Hugo, artesão que operava em Aix-en-Provence. A oficina da família Hugo existe há três gerações e hoje mantém o núcleo de produção que inclui joias, botões de alta costura e bijuterias para grandes maisons.

A trajetória do ateliê

Hugo veio de uma família criativa: bisneto de Victor Hugo, iniciou pela marcenaria, passou pela encadernação e ainda trabalhou como mecânico de motores de avião. Também estudou tecelagem na Escócia e, na década de 1930, formou parceria com Coco Chanel na fábrica Hugo-Chanel.

Artistas da época, como André Derain e Max Ernst, frequentavam o ateliê. Em paralelo, o ateliê já produzia peças para Lanvin, Schiaparelli, Dior e Hermès, com obras que hoje integram acervos de museus como o V&A e o Metropolitan.

Colaborações históricas

A parceria com Schiaparelli gerou mais de três mil desenhos em 12 anos. Diante da escassez de suprimentos na Segunda Guerra, Hugo desenvolveu soluções com latão, cerâmica e plásticos, mantendo a criatividade diante das dificuldades.

Com a geração seguinte, artistas como Max Ernst, Jean Cocteau, André Derain, Jean Arp e Dorothea Tanning passaram a buscar o ateliê para desenvolver técnicas próprias, trabalhando em colaboração com Hugo, de forma quatro mãos.

Atualização da marca

Após o falecimento de François Hugo, o ateliê seguiu com seu filho Pierre e hoje é comandado pelo neto Nicolas. A mulher de Nicolas, Elvire, conheceu a empresária Gabriela Paschoal em Londres e passou a manter vínculos com o Brasil, ampliando a atuação da marca.

Nos Estados Unidos e na Ásia o Ateliers Hugo já tem presença consolidada; a América Latina, pouco explorada até então, passa a entrar no radar com a parceira de Gabriela e a galeria Gomide & Co.

SP-Arte 2026

Entre os dias 8 e 12 de abril, a SP-Arte apresenta cerca de 30 peças, entre joias, medalhões e objetos, no pavilhão da Bienal. Nicolas Hugo destaca a estreia do ateliê no Brasil e o interesse em conhecer o mercado local.

A mostra inclui peças de Picasso com touros, rostos e formas abstratas migradas para medalhões e pratos, além de peças de Jean Cocteau, com linhas alongadas e figuras mitológicas traduzidas para brincos, broches e colar. Dorothea Tanning também aparece com o broche Mlle Pieuvre.

Maria Eugenia Martins, coordenadora da galeria, afirma que há grande interesse já antes da feira, com reservas em obras que serão produzidas pela última vez. O molde das peças retorna à família após a exposição.

Filosofia e técnica

Hugo preservava a prática artesanal: não utilizava fundição, preferindo a técnica repoussé, que trabalha a chapa a partir do verso para manter o gesto do artista. O resultado fica entre jóia e escultura, mantendo uma produção de apenas dezenas de peças por ano, numeradas e feitas manualmente.

Nicolas relata que cresceu ouvindo o barulho das marteladas do avô, legado que permanece na estrutura atual do ateliê. A produção mantém a mesma linguagem de 70 anos atrás, com ferramentas herdadas.

Perspectivas

As peças de Picasso em São Paulo devem ampliar a rede de colecionadores brasileiros, além de abrir espaço para colaborações com artistas locais. A gestão da venda fica a cargo de Gabriela e da equipe da Gomide & Co, com foco em peças únicas e edições limitadas.

O ateliê afirma manter a missão de registrar o momento criativo de cada artista, oferecendo uma visão do que estava sendo produzido na época. A relação entre artesanato, arte e joalheria continua a orientar o trabalho.

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