- Brasília completa 66 anos nesta terça-feira, 21 de abril, celebrando a cidade criada para abrigar a capital do país.
- O mímico Miqueias Paz usa o corpo para expressar desigualdades, a presença de imigrantes e a vida de uma metrópole em construção, desde os anos oitenta, começando em Taguatinga.
- O grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, de Tico Magalhães, criou o samba pisado, ritmo que mistura influências nordestinas para traduzir a Brasília “inventada”.
- O casal de estilistas Mackenzo e Felipe Manzoli transforma arquitetura de Brasília em moda, conectando as roupas ao sonho original da cidade e aos símbolos democráticos.
- A arquiteta Nara Resende e a artista visual Isabella Stephan veem na geometria, nas cores e no movimento da cidade a sua expressão criativa, destacando o contraste entre concreto e vida nas ruas.
Brasília completa 66 anos nesta terça-feira, 21 de abril, em meio a expressões artísticas que traduzem a cidade sem palavras. Artistas usam gestos, ritmos, moda e pintura para revelar a identidade do centro político e cultural do país.
Ao longo de décadas, a capital tem sido fonte de inspiração para diferentes linguagens. Em 1960, Juscelino Kubitscheck já destacava a dificuldade de descrevê-la com precisão. Hoje, a cidade permanece objeto de traduções por meio de arte e criação.
Na prática, artistas vão além da paisagem; encaram o desafio de traduzir o mosaico de origens, classes sociais e histórias que formam Brasília. As obras variam entre teatro, música, moda e artes visuais.
Mímico transforma cidade em movimento
Miqueias Paz, 62, usa o corpo para expressar as nuances de Brasília. Ele chegou à capital aos 5 anos e cresceu entre o teatro social e a mobilização de direitos. Suas encenações destacam desigualdades, migração e a rotina da nova metrópole.
Nascido em uma região periférica, ele começou no Taguatinga aos 16 anos. Do palco à rua, buscou levar arte para ocupações, com foco na conscientização social. Sem palavras, ele apela para o olhar do público.
Em 1984, ele ganhou visibilidade em protestos que marcaram o fim da ditadura. Hoje, dirige o espaço cênico Mimo, na comunidade 26 de setembro, para acolher artistas ambulantes da capital.
Samba pisado e o som que a cidade inventa
O grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, criado por Tico Magalhães, apresenta o samba pisado. O ritmo nasce de uma mistura de nordeste e cerrado, criando uma linguagem artística para Brasília.
Magalhães descreve a criação como uma invenção para a cidade, que mistura referências como cavalo marinho e maracatu. Ele vê o samba pisado como parte da memória de um território que abriga várias culturas indígenas.
Segundo o músico, a cidade que se forma com gente de diferentes lugares gera tradições próprias. O conjunto representa a ideia de uma Brasília que inventa a si mesma a partir da diversidade de seus moradores.
Moda e arquitetura ganham vida na cidade
Dois jovens estilistas nascidos nas periferias apresentam roupas inspiradas em Brasília. Mackenzo, 27, de Samambaia, e Felipe Manzoli, 29, de Planaltina, transformam espaços arquitetônicos em peças de vestuário.
Manzoli relembra aprender a costurar com a avó e destaca que costurar exige leitura do terreno, lembrando que Brasília é quase mítica para ele. A dupla busca refletir o sonho de Juscelino Kubitschek na moda.
Eles associam seus trabalhos às lembranças de família e à história da capital. As roupas continuam conectadas aos símbolos da democracia e às pulsações da vida urbana.
Outras vozes que traduzem a alma da cidade
Nara Resende, arquiteta e estilista, ressalta que formas simples e geometria marcam seu processo criativo. A cidade, para ela, respira arte e convive com o verde e o concreto.
Isabella Stephan, empresária criativa, trabalha com pintura e estamparia. Ela revela que Brasília inspira cores que traduzem a alegria e a energia do brasiliense. Suas peças reúnem elementos figurativos e abstratos.
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