- Helô Gouvêa, aos 69 anos, é bailarina, criadora do método Walk Dance e diretora da Anacã Cia de Dança, com mais de cinquenta anos dedicados à dança.
- Em 1996, o marido dela, Luis Fernando, morreu no acidente aéreo da TAM em Congonhas; ela ficou viúva, criou os três filhos e encontrou na dança uma forma de seguir em frente.
- A partir do luto, passou a desconstruir a dança para torná-la mais acessível e inspirar outras pessoas, inclusive ajudando a criar a ABRAPAVAA (associação de parentes e vítimas de acidentes aéreos).
- Defende que educação emocional e corporal é essencial na era da inteligência artificial, enfatizando que crianças devem aprender com o corpo e a dança, não apenas com telas.
- O futuro de Helô inclui ampliar o Estúdio Anacã, manter o Anacã Cia de Dança e criar um espaço dedicado a pessoas com deficiência, promovendo inclusão pela dança.
Helô Gouvêa, bailarina e criadora do método Walk Dance, transforma dor em dança há mais de cinco décadas. Aos 69 anos, ela dirige a Anacã Cia de Dança e é sócia-fundadora do Estúdio Anacã. Sua história dialoga com o Dia Mundial da Dança, celebrado em 29 de abril.
A data, criada pela UNESCO em 1982 para homenagear Jean-Georges Noverre, não resume a vida de Helô. Ela entende a data como uma referência à própria trajetória, marcada pela dança moderna, o jazz de Nova York e a maternidade após a perda.
Trajetória que rompe barreiras
Helô começou a dançar aos cinco anos e recusou ficar presa à barra. A mãe levou-a para a dança moderna, um movimento ainda raro no Brasil. Aos 11, mudou a rota para Recife, onde estudou balé clássico com o pai. Aos 15, voltou a São Paulo e integrou a equipe de Ruth Rachou.
Atersa ter passado pela escola de Ruth, Helô abriu caminho para o jazz no Brasil, inspirada pelo sucesso de filmes como Flashdance. Ela afirma que aprendeu a buscar novidades em cada etapa da carreira, sempre com foco na conexão entre corpo e expressão.
Um evento que redefiniu tudo
Em 1996, o marido de Helô, Luis Fernando, morreu no acidente aéreo da TAM em Congonhas. Ela não viajou naquele dia para dar aula e atribui à dança a força para seguir. A dor levou à criação de um novo modo de ensinar e viver a dança.
Após o velório, Helô passou 40 dias em Ilhabela com a família, dançando de manhã cedo até a noite. O luto a fez repensar o papel da dança como ferramenta de resiliência e inclusão, abrindo espaço para quem está em luto.
Um movimento social
Helô ajudou a criar a associação de viúvas do acidente, que deu origem à ABRAPAVAA, para acelerar indenizações às famílias. Ela reforça o papel da dança como salvaguarda emocional para mulheres que vivem a perda, além de apoiar alunas que chegam ao estúdio com o peso da dor.
Em sala, a prática da dança é vista como ferramenta de regeneração. Uma aluna que perdeu um filho, por exemplo, voltou a sorrir após iniciar as aulas, segundo Helô. O objetivo é manter o corpo ativo e a autoestima, mesmo diante da dor.
Educação sem imposição
Sobre crianças, Helô defende que o que é imposto gera trauma, enquanto a descoberta desperta paixão. Ela orienta que o sonho da mãe nem sempre condiz com o da filha, e recomenda oferecer várias opções de dança, como balé, jazz, hip hop, teatro, canto e circo.
A ideia é permitir que a criança experimente e escolha seu caminho. Em casos de estereótipo de gênero, a experiência mostra que a liberdade de escolha fortalece a confiança, como no caso de uma aluna que migrou do balé para o hip hop.
Olhando para o futuro
O Anacã continua a crescer com a Cia de Dança e um espaço educativo que forma futuras profissionais. Planos incluem ampliar espaços físicos e criar um espaço dedicado a pessoas com deficiência, para uso inclusivo da dança.
Helô permanece ativa, aos 69 anos, mantendo a visão de que mover o corpo é uma expressão humana essencial. Ela reforça que a dança pode oferecer sentido, mesmo em tempos de tecnologia avançada.
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