- Lana Jones, ex-principal bailarina do Australian Ballet, voltou a estudar para se tornar parteira após o nascimento do filho e sua aposentadoria em 2018, citando a dificuldade de deixar a identidade de bailarina.
- Jones diz que, hoje, ajudar mulheres em parto é gratificante, mas o trabalho é o maior desafio de sua nova carreira.
- Deborah Bull, ex-principal do Royal Ballet, tornou-se membro da Câmara dos Lordes em 2018 e compara a atuação no plenário a uma performance, destacando a preparação fora da sala.
- Bull também sente falta da fluidez física do balé, mas reconhece que lesões antigas a levaram a buscar outras atividades, como escrita e programas de TV.
- Kay Tien, ex-dançarina e fundadora da Pivot Pointe, transformou a lesão no tornozelo em nova carreira e criou um programa de transição profissional para bailarinos.
Lana Jones, ex-bailarina principal do Australian Ballet, trocou a roda de ensaios pela sala de parto. Após o nascimento do filho, percebeu que não poderia dançar para sempre. Retornou com vulnerabilidade, mas sentiu saudade do tempo com o filho quando era pequeno. Mesmo antes de encerrar a carreira, já planejava outra trajetória.
Pouco antes de concluir em 2018, com a apresentação de Cinderela, Jones se viu pronta para ser mãe em tempo integral. Aos poucos, decidiu ingressar no curso de obstetrícia, começando a universidade na casa dos 30. Hoje, trabalha como parteira, buscando transmitir calma e presença às futuras mães em trabalho de parto.
Transições de carreira após a dança
Baronessa Deborah Bull, ex-bailarina principal do Royal Ballet, diz que abandonar a dança foi doloroso, quase inoportuno. Lesões no tornozelo tiveram peso nesse processo, abrindo espaço para novas atividades, como escrita de livros e participação em programas de TV. Em 2018, Bull foi escolhida para ser life peer na House of Lords, exercendo função pública paralelamente ao passado nos palcos.
Para Bull, a vida no parlamento guarda semelhanças com uma performance: preparo intenso fora da câmara, seguido de debates em que as ideias são apresentadas com efeito. Ainda hoje, sente falta da articulabilidade física da dança, como se seu corpo tivesse perdido parte de sua fluidez.
Kay Tien, ex-bailarina, fundou a Pivot Pointe, consultoria de transição de carreira para dançarinos. Uma lesão no tendão de Aquiles, ainda na fase de treinamento, interrompeu um contrato com o Bavarian State Ballet. Ela canalizou o impulso criativo para a área de negócios, pragmática na mudança de rumo.
Tién aponta que a aposentadoria costuma trazer medo, já que a carreira está enraizada na identidade como dançarina. O desafio é comunicar habilidades adquiridas no palco para o mercado externo, como ética de trabalho, disciplina e trabalho em equipe. Empresários destacam que bailarinos são aprendizes rápidos e ativos, mesmo que nem sempre saibam traduzir esse conjunto de competências.
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