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Lubaina Himid vence Bienal de Veneza após 40 anos de luta

De Margem a Veneza: Lubaina Himid representa a Grã-Bretanha no maior palco da arte, após quatro décadas de luta por reconhecimento

‘I could smell Brexit coming’ … Himid in her studio in Preston.
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  • Lubaina Himid foi escolhida para representar o Reino Unido na Bienal de Veneza de 2026, a maior vitrine da carreira de uma artista britânica.
  • A artista transformou o pavilhão britânico com pinturas de grande formato e elementos como bianco ottico, iluminação Barrisol e um espaço que remete a uma “cena de verão” britânica, com nuances que brincam com estranhezas.
  • O projeto, intitulado Predicting History: Testing Translation, reúne cerca de meia dúzia de pinturas grandes e objetos que dialogam com temas de pertencimento e migrância, incluindo figuras como costureiras, pedreiros, jardineiros e cozinheiros.
  • Himid assinou uma carta do grupo Anga pedindo o cancelamento do pavilhão israelense na mostra, destacando a complexidade das questões, mas rejeitando neutralidade diante de violência e genocídio.
  • A trajetória de Himid inclui a vitória no Turner Prize em 2017, após uma mudança de regra que abriu o prêmio a artistas com mais de cinquenta anos, consolidando-a como referência da Black Art Movement dos anos oitenta.

Lubaina Himid, a britânica que participou de uma trajetória marcada por batalhas no mundo da arte, representa o Reino Unido na Venice Biennale, o que é descrito como a maior vitrine internacional para artistas. A abertura ainda não começou, mas a escolha já coloca a artista de Preston em destaque no cenário artístico mundial. O momento é visto como a confirmação de uma carreira que atravessa quatro décadas.

A residência da artista em uma casa vitoriana, reformada para abrigar um estúdio, traduz o clima de foco que envolve seu trabalho. Em preparação para o pavilhão britânico, ela já instalou parte das obras, com a equipe fotografando, enviando e montando as peças no Giardini, espaço tradicional das nações na Bienal.

Himid, hoje com 71 anos, faz parte de uma geração de artistas negros britânicos que vem ganhando reconhecimento internacional após décadas de lance crítico contra o establishment. Sua prática usa pintura, madeira e têxteis para explorar identidades, pertencimento e histórias silenciadas do Black Atlantic.

O pavilhão britânico e o conceito

O espaço denominado Predicting History: Testing Translation é marcadamente luminoso, com 78 litros de branco óptico e iluminação Barrisol, criando uma percepção de dia de verão britânico. O interior abriga cerca de seis grandes pinturas que representam diferentes perfis: trabalhadores, arquitetos, cozinheiros, jardineiros e costureiros.

Entre as obras, as figuras narram uma conversa sobre identidade e adaptação em novos contextos. Perguntas que acompanham a instalação exploram origem, memória e pertencimento, levando o público a refletir sobre línguas, comportamentos e modos de vestir em espaços estrangeiros.

Além da mostra, Himid assinou uma carta coletiva que pede a suspensão do pavilhão israelense, associada à Art Not Genocide Alliance. A artista sustenta que não é possível permanecer neutra diante de conflitos e genocídios em curso, mantendo posicionamento público sobre questões de direitos humanos.

Contexto histórico e presença na Bienal

A trajetória da artista começou longe dos holofotes, com exposições em espaços alternativos e um ensaio de resistência frente a instituições que consideravam sua produção improvável. A virada ocorreu na década de 2010, quando galerias de grande expressão passaram a reconhecer seu trabalho, culminando no reconhecimento mundial com o prêmio Turner, aos 63 anos, em 2017.

Representar a Grã-Bretanha num evento que carrega leituras históricas de colonialismo e nacionalismo traz uma dimensão complexa à presença de Himid. Ela afirma ter conhecimento das dinâmicas britânicas ao longo dos anos e ressalta que decidir representar o país não é uma escolha simples, mas está ligada ao impacto de sua obra na paisagem cultural.

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