- Maxwell Alexandre, artista carioca criado na Rocinha, abre exposição em São Paulo até 30 de maio na galeria Almeida & Dale, com retratos de pessoas brancas em vez de negras e inspiração em associados do Clube de Regatas do Flamengo.
- A mostra, intitulada “pintor preto, figuração branca”, traz a visão do artista sobre espaços que antes frequentava e reforça o foco em figuras brancas como parte da narrativa histórica da arte.
- O artista afirma que não é ativista, usa o humor no trabalho e evita conduzir o discurso por meio de posições políticas radicais.
- Seus pilares são igreja, Exército e esporte, com a experiência militar sendo citada como fonte de disciplina que influencia a vida de jovens de favela.
- O trajeto do artista inclui a experiência no Carpintaria, início na arte com grandes pinturas em papel pardo e a ideia de que a fé pode migrar de lugar, da igreja para outros espaços sociais.
O artista plástico Maxwell Alexandre abre, até 30 de maio, uma exposição na galeria Almeida & Dale, em São Paulo. A mostra, intitulada “pintor preto, figuração branca”, apresenta retratos de pessoas brancas, diferente de seus trabalhos anteriores centrados em protagonismo negro. A origem inspira a série: associados do Clube de Regatas do Flamengo, no Rio, são referências na produção.
Maxwell, que cresceu na Rocinha e hoje vive no Aterro do Flamengo, já ganhou projeção com séries como “pardo é papel”, feitas em papel pardo. Nesta mostra, o artista busca narrar a visão que adquiriu ao frequentar espaços antes distantes de sua rotina. Ele se posiciona como artista, não ativista.
Pilares e leituras
Em seus relatos, Maxwell discute a relação entre raça, espaço urbano e arte. Ele afirma que a “figuração branca” é um tema pouco nomeado na história da arte, e que a neutralidade muitas vezes esconde dinâmicas de poder. O objetivo é provocar reflexão sem didatismo.
Espaços de pertencimento
O Rio, a Rocinha, o Flamengo e seus muros de proteção aparecem como cenário de construção de identidade. O artista descreve como o Flamengo simboliza bem-estar e contraste com a favela, e como essa dualidade alimenta a sua produção atual. O objetivo é contar uma história visual de convivência.
Fé, ética e música
Um eixo relevante é a relação de Maxwell com a fé evangélica e a igreja. Em entrevistas, ele cita encontros com líderes religiosos e discute como a fé pode coexistir com uma visão crítica da política. O artista afirma que o humor é ferramenta para lidar com temas sensíveis.
Pessoal e carreira
Maxwell reforça que a arte não segue cartilha e que contradições são comuns em seu trabalho. Sobre a paternidade, ele diz que a vida familiar influencia o tempo dedicado ao ateliê, mas que a obra continua sendo prioridade central.
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