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Moffat Takadiwa, artista do Zimbábue, transforma resíduos em tapeçarias

Moffat Takadiwa apresenta, em São Paulo, tapeçarias feitas de resíduos plásticos que questionam colonialismo, consumo e impacto ambiental na mostra Reverberações do Gesto

O artista zimbabuano Moffat Takadiwa posa diante de uma de suas tapeçarias de resíduos plásticos; obras inéditas estão em exposição na Galeria Almeida & Dale, em São Paulo
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  • Moffat Takadiwa, artista do Zimbábue, apresenta sua primeira mostra individual no Brasil, na Galeria Almeida & Dale, em São Paulo, de 16 de maio a 20 de junho de 2026.
  • A exposição Reverberações do Gesto mostra obras inéditas feitas com resíduos plásticos e eletrônicos, abordando consumo, origens coloniais e impactos ambientais.
  • Entre as peças estão séries como “Survival Mode” e “Selfie”, que transformam objetos cotidianos em tapeçarias para questionar hábitos de cuidado pessoal e a herança colonial.
  • O artista explica que começou a usar esses materiais por necessidade durante a faculdade e destaca o uso de resíduos para retratar esperança, vida e transformação.
  • Takadiwa também mantém o Mbare Art Space, espaço colaborativo em Harare que promove arte, formação de comunidade e regeneração urbana, conectando prática artística e memória colonial.

Moffat Takadiwa, artista zimbabuano, inaugura sua primeira mostra individual no Brasil. A exposição Reverberações do Gesto fica em cartaz na Galeria Almeida & Dale, em São Paulo, reunindo obras inéditas feitas a partir de resíduos plásticos e itens eletrônicos. A produção aborda consumo, colonialismo e o impacto ambiental sob olhar crítico.

Takadiwa ficou conhecido por transformar rejeitos em tapeçarias gigantes, uma prática que já ganhou projeção internacional após representar o Zimbábue na Bienal de Veneza em 2024 e participar da Bienal de São Paulo em 2025 com a instalação Portals to Submerged Worlds. A mostra brasileira amplia esse eixo, explorando hábitos diários de cuidado pessoal como escovar dentes, pentear o cabelo e usar cosméticos, conectando-os a origens coloniais e à lógica do consumo.

A exposição reúne grandes composições que reminiscentes de mosaicos ou tapeçarias. Os trabalhos utilizam tampas, teclas de computador, pincéis de esmalte, escovas de dentes, pentes e outros resíduos do cotidiano ocidental para construir imagens que discutem a relação entre beleza, toxicidade ambiental e memória histórica.

O conjunto de obras questiona como objetos supostamente inertes ganham vida ao conviver com as pessoas. O artista, que criou o Mbare Art Space em 2019, destaca a participação de uma rede colaborativa na produção e na renovação urbana de Mbare, bairro de Harare. A iniciativa também funciona como espaço formativo para a comunidade artística local.

Na leitura de Takadiwa, a exposição reúne dois polos que se completam: repetição e transformação. O título sugere uma reflexão sobre as consequências do colonialismo e, ao mesmo tempo, a possibilidade de reescrever narrativas por meio da arte. A prática busca ampliar debates sobre identidade cultural e ecossistemas.

Detalhes da mostra

  • Data: de 16 de maio a 20 de junho de 2026
  • Horário: seg. a sex., 10h-19h; sáb., 11h-16h
  • Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1360, São Paulo
  • Ingresso: gratuito

A curadoria enfatiza a ideia de que os gestos cotidianos de cuidado pessoal podem atuar como veículos de crítica social e ambiental. A mostra utiliza materiais não convencionais para dialogar com o público sobre consumo, memória e reparação histórica.

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