- Taís Araújo encena Mayah, em montagem dirigida por Yara de Novaes e Ivy Souza, no Sesc Ginástico, Rio de Janeiro, explorando um manifesto contra o fetiche da dor negra.
- A história acompanha Mayah à véspera de completar 40 anos, enquanto enfrenta perdas no trabalho, no relacionamento e na casa.
- Sem saída, ela aluga um quarto no 15º andar do prédio de Mildred, uma jamaicana de 90 anos, iniciando uma nova convivência.
- Dani Nega e Layla atuam como a vida interna de Mayah: Dani com ritmos eletrônicos e Layla com a kora, criando uma fusão sonora que dá ritmo à peça.
- O visual fica por conta do figurino de Teresa Nabuco, com cenografia de André Cortez e iluminação de Gabriele Souza, destacando a escala entre burocracia urbana e momentos de liberdade.
Taís Araújo encena um manifesto crítico ao fetiche da dor negra, em montagem dirigida por Yara de Novaes e Ivy Souza, no Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro. O texto, inspirado em uma dramaturgia britânica, tensiona risos e desabafos para discutir temas de raça e mercado cultural.
A protagonista Mayah explode a vida pouco antes de completar 40 anos, enfrentando a empresa, o relacionamento e a moradia. Perdidos empregos e laços, ela passa a dividir o espaço com Mildred, uma jamaicana de 90 anos, em um quarto no 15º andar.
Na encenação, Taís atua em um solo que é, na prática, coletivo. Dani Nega e Layla constroem a “vida interna” de Mayah, com Dani marcando a ansiedade por meio de ritmos eletrônicos e Layla tocando a kora, instrumento de cordas africano.
A direção de Yara de Novaes, com a colaboração de Ivy Souza, manipula o tempo cênico para aproximar a narrativa de um texto britânico de Amanda Wilkin, traduzido por Diego Teza. Mayah pausa para acompanhar o ritmo da metrópole com intensidade.
A cenografia visual, de André Cortez, e a iluminação de Gabriele Souza enfatizam o contraste entre os pesadelos burocráticos da cidade e momentos de liberdade. O figurino, assinado por Teresa Nabuco, evolui junto com a crise de Mayah.
O elenco de apoio, além de Taís, é apresentado como parte central da experiência. As escolhas sonoras e as leituras de cena ajudam a evitar que o espetáculo se reduza a um sermão moral, mantendo o ritmo.
Mayah dialoga com duas gerações: Mildred, mulher que lutou por direitos civis, e Kemi, jovem da geração Z que desafia convenções. O confronto entre passado e presente cria um eixo de emancipação.
A peça utiliza humor ácido para tratar de dores cotidianas. Segundo a produção, o riso funciona como ponte para temas complexos, abrindo espaço para reflexões sem afastar o público.
Taís descreve o projeto como um retorno que busca novas narrativas sobre mulheres negras. A atriz citou referências culturais e intelectuais para embasar a pesquisa de linguagem e tema da montagem.
A produção destaca o peso de representar a experiência negra sem reduzir a personagem a estereótipos, enfatizando a banalidade do erro e a ambiguidade das escolhas humanas. O público vê uma vida que não se resume a dor.
Por fim, a montagem ressalta a relevância de discutir questões de raça, gênero e poder por meio de uma dramaturgia que combina atuação, corpo, música e imagem, ampliando os recursos expressivos do palco.
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