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Do símbolo da paz ao gesto V na cultura pop asiática contemporânea

Do gesto de paz de Janet Lynn à etiqueta digital kawaii, o V de vitória tornou-se marca visual, influenciando pose, ritmo de fotos e gerações na Ásia

V de vitória – depositphotos.com / AllaSerebrina
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  • Em 1972, nos Jogos Olímpicos de Sapporo, no Japão, a patinadora Janet Lynn chamou atenção ao sorrir e fazer o gesto de paz, lembrando suavidade e simpatia em fotos e transmissões.
  • A prática ganhou espaço na mídia japonesa após as Olimpíadas, com revistas sugerindo o V para modelos e ajudando a melhorar o enquadramento da foto.
  • Campanhas de câmeras fotográficas associaram o gesto à experiência de registrar momentos entre amigos, ampliando o uso do V no cotidiano.
  • O gesto passou a significar kawaii e conforto visual na cultura jovem japonesa, com ídolos do pop reforçando a associação com o universo fofo e descontraído.
  • Na Coreia do Sul e na China, a disseminação ocorreu via dramas, K‑pop, publicidade, redes sociais e telefones com câmera, tornando o V prática comum em selfies e fotos de grupo.

Em grande parte da Ásia, o gesto conhecido como V de vitória aparece com frequência em fotos informais, de crianças a adultos. O que parece simples hábito visual resulta de um percurso histórico que envolve Olimpíadas, propaganda, cultura pop e tecnologia. O marco inicial ocorreu em 1972, nos Jogos de Sapporo, no Japão, com a patinadora Janet Lynn.

A imprensa japonesa destacou a postura descontraída da atleta, associando-a a simpatia e juventude. A partir dali, o gesto passou a figurar em fotos de revistas e programas de TV, ajudando a quebrar a rigidez das poses tradicionais e a melhorar o enquadramento nas imagens.

Origem e papel da imagem

Com o tempo, fotógrafos de revistas femininas passaram a sugerir o V para modelos iniciantes, transformando-o em recurso de composição rápida. Campanhas de câmeras e de eletrônicos reforçaram a ideia de registrar momentos leves, fotogênicos e de convívio entre amigos e família.

Da paz à estética kawaii

O crescimento da cultura juvenil japonesa, a partir dos anos 1980, conferiu ao gesto o significado de kawaii, ligado ao fofo e ao infantil. Perto do rosto, o V suaviza traços e reduz a tensão, contribuindo para um clima de brincadeira controlada e aceitação social do ritual fotográfico.

Funções prática e geracional

Especialistas apontam que o gesto funciona como um acessório de expressão, especialmente para quem é tímido diante da câmera. Além disso, ele equilibra o enquadramento com linhas criadas pelos dedos e sinaliza pertencer a um grupo jovem conectado à cultura pop.

Expansão para Coreia do Sul e China

Não houve isolamento histórico. A circulação de dramas japoneses, mangás e programas de entretenimento influenciou a Coreia do Sul, onde o gesto ganhou destaque entre idols e atores em entrevistas e sessões de autógrafos. O mesmo ocorreu na China urbana, com publicidade e redes sociais locais.

Impacto das tecnologias de captura

A popularização das câmeras digitais compactas e, posteriormente, de celulares com câmera frontal, consolidou o V como pose comum em selfies e fotos de grupo. Fãs passaram a imitar artistas, ampliando o uso do gesto em registros diários e eventos públicos.

Etiqueta digital e linguagem visual global

Com o avanço de smartphones e plataformas de imagem, o V se tornou parte de filtros, adesivos e efeitos visuais. Usuários de diferentes países incorporam o código, que funciona como mensagem de prontidão para a câmera e como sinal de participação em um clima de grupo.

Legado e claras linhas de continuidade

Hoje, o V de vitória integra o repertório global de poses ao lado de sorrisos padronizados e enquadramentos de selfie. Sua trajetória na cultura visual asiática revela um marcador geracional, conforto estético e etiqueta digital que molda a forma como se ocupa o espaço fotográfico.

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