- Exposição na Cerrado Galeria apresenta obras de Claudio Tozzi, considerado um dos nomes mais importantes da nova figuração na arte brasileira.
- A mostra, intitulada Uma continuidade como respiro, reúne trabalhos desde a década de sessenta até os últimos vinte anos, mesclando fases da pop art com abstração geométrica.
- O curador Cristiano Raimondi afirma que a curadoria busca diálogo entre épocas, valorizando a técnica em detrimento de uma cronologia rígida.
- Tozzi, aos 82 anos, diz que a obra dialoga com arquitetura, design e espaço urbano, com processo construtivo e interferências de escala.
- A exposição enfatiza a relação entre arte e cidade, destacando o papel da pintura no espaço público e na democratização da circulação de imagens.
Claudio Tozzi ganha exposição na Cerrado Cultural com foco na relação entre arte e cidade. A mostra, intitulada Uma continuidade como respiro, reúne obras desde a década de 1960 até os últimos 20 anos, explorando a nova figuração brasileira.
A curadoria é do italiano Cristiano Raimondi, que propõe um diálogo entre fases distintas do artista. O objetivo é evidenciar uma continuidade técnica e conceitual, sem seguir uma linha cronológica rígida.
A atração central reúne pinturas iniciais ao lado de peças da era pop, como as séries Astronauta, Multidão e Guevara, além de composições geométricas recentes. O conjunto destaca a tensão entre abstração e figuração na produção de Tozzi.
Aos 82 anos, o artista aponta para uma fusão entre arte e arquitetura em sua prática. Segundo ele, a construção mental de cada quadro começa com um projeto, avançando para a execução que impõe novas soluções conforme a escala.
Entre as obras, há uma peça que o curador selecionou: uma pequena pintura que junta geometria, figuração e narrativa pop. A obra foi criada a partir de colagens de jornal e revista, associadas a uma estrutura definida herdada do design.
Tozzi comenta que a exposição evidencia um caráter construtivo, com pensamento racional na organização da forma. Ele descreve um processo de produção que dialoga com o espaço urbano e com a arquitetura.
A mostra apresenta trabalhos criados entre os anos 1960 e os últimos dois anos. O diálogo entre formas abstratas e figurativas permanece constante, com fases que vão de estruturas mais definidas a composições com sensação de movimento.
Sobre o papel da cor, Tozzi lembra que, nas fases iniciais da nova figuração, utilizava tons primários para dialogar com a linguagem dos meios de comunicação de massa, preservando uma comunicação direta com o público.
O artista relembra ainda a importância do contexto da época. Hoje, ele observa um cenário mundial marcado por tensões políticas e ressalta a ideia de que, na pintura, a organização das formas pode sugerir possibilidades de harmonia social.
Na prática, a geometria da obra busca criar um espaço de justiça e paz onde as áreas dialoguem entre si, evitando fronteiras agressivas. A reflexão, no entanto, permanece abstrata e aberta à interpretação.
Para Tozzi, o espaço público ganha destaque na pintura atual. A relação com a cidade e com a arquitetura é o ponto focal, ampliando o acesso da população à arte e fortalecendo o intercâmbio entre o ateliê e o entorno urbano.
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