- Thayná Soares levou a Cannes uma peça bordada por 17 mulheres caiçaras de Paraty, no Rio de Janeiro, na 79ª edição do festival.
- O vestido apresenta bordados na técnica de pintura de agulha, com aves da Mata Atlântica em linho belga, formando um mosaico de cores e significados.
- Foram vinte e um dias de trabalho intenso, com planejamento coletivo e trocas entre as artesãs da parceria com a Casa da Cultura de Paraty; a equipe incluiu várias bordadeiras, coordenadas pela mestra Fernanda Queiroz.
- Thayná afirma que as artesãs são as protagonistas e que o vestido representa mais que glamour, incluindo história, pertencimento e transformação pessoal através da arte.
- O projeto, que já formou quarenta bordadeiras, busca valorizar o trabalho manual brasileiro e estruturar autonomia econômica por meio de cursos gratuitos de técnica, precificação, negociação e empreendedorismo.
O vestido que desfilou no tapete vermelho de Cannes nesta sábado, 23 de maio, integra a linha de moda artesanal da marca Thayná Caiçara. A protagonista do look é a produção manual de 17 mulheres caiçaras de Paraty, no Rio de Janeiro, responsáveis pelos bordados que transformam aves da Mata Atlântica em desenho sobre linho belga.
A peça foi criada para ombrear o discurso da empregadora e modelo Thayná Soares, que decidiu dividir o protagonismo com as artesãs. Em entrevista ao programa Elas no Tapete Vermelho, a estilista ressaltou que o trabalho das bordadeiras vai além do tecido, representando reconstrução pessoal e fortalecimento comunitário.
A técnica empregada é a pintura de agulha, com pontos minuciosos que criam efeitos de pinceladas sobre o tecido. Nas bordas do vestido aparecem aves brasileiras, cada uma bordada por uma artesã diferente, formando um mosaico que carrega histórias de vida e pertencimento.
O linho escolhido e a modelagem em saia ampla foram deliberados para favorecer o trabalho coletivo. Thayná aponta que o tecido é pouco utilizado no tapete, mas reflete o conceito da marca de slow fashion, valorizando o processo artesanal e o intercâmbio entre as bordadeiras.
Entre as bordadeiras está Seidimar Ramos, 57 anos, autora do pássaro Tiê Sangue. Ela guarda a trajetória de aprender o bordado desde a infância e enxerga no projeto uma oportunidade de visibilidade internacional para o trabalho manual.
O desafio envolveu 21 dias de trabalho intenso, com encontros, planejamento e cooperação entre as participantes. O projeto é realizado em parceria com a Casa da Cultura de Paraty e envolve deslocamentos de barco, ônibus e trajetos a pé, conciliando bordado com atividades cotidianas.
Ao todo, a equipe que participou do vestido incluiu Mayara, Raquel, Esmeralda, Seidimar, Catiucia, Roberta, Léa, Sylvia, Maria Helena, Ana Rocha, Fátima, Leila e a mestra Fernanda Queiroz, que coordenou parte do processo artístico. Catiucia desenhou o pássaro Maria-Leque, destaque da composição.
O projeto já formou cerca de 40 bordadeiras e oferece cursos gratuitos que abrangem técnica, precificação, negociação e empreendedorismo. A iniciativa visa manter pagamentos em dia e fortalecer a autonomia econômica das artesãs, segundo relato de Thayná.
Além de celebrar o artesanato, o look de Cannes simboliza a trajetória da marca, que já levou criações para Nova York e Paris. A proposta envolve produção em ritmo desacelerado, com foco na cultura local e na sustentabilidade do trabalho manual. Fonte: Elas no Tapete Vermelho.
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