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Artista plástico Paulo Andrade deixa legado de genialidade e coragem

Artista Paulo Andrade morre aos 72 anos; exposição Do golpe ao golpe em cartaz reforça o legado crítico sobre a política brasileira

Artista plástico Paulo Andrade na exposição Do golpe ao golpe, que reúne 22 de suas obras
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  • Artista plástico Paulo Andrade, aos 72 anos, morreu ontem em Brasília após problemas de saúde, deixando três filhos.
  • Sua última exposição, Do golpe ao golpe, reúne 22 obras e está em cartaz no Espaço Cultural do Instituto Alvorada Brasil, na SCLS 109 Sul.
  • A mostra traça uma cronologia política de 2016 a 2023, incluindo impeachment de Dilma Rousseff, atuação do Congresso e do Judiciário, governo de Jair Bolsonaro, pandemia e ataques de 8 de janeiro.
  • O curador Mauro de Deus ressalta o olhar crítico e o humor presentes nas obras, destacando a importância do artista para a cultura local.
  • Paulo Andrade integrou o Movimento Cabeças nos anos 1970 e teve atuação internacional, com exposições em Washington e na Costa Rica.

O artista plástico Paulo Andrade morreu ontem aos 72 anos, internado na UPA do Paranoá, em Brasília. Mineiro de nascimento, ele foi figura central do Quadradinho e pioneiro do Movimento Cabeças, conhecido por assinaturas autênticas, coragem e humor nas telas. Deixou três filhos e uma extensa obra que marca a identidade cultural da cidade.

Na última mostra individual, Do golpe ao golpe, em cartaz no Espaço Cultural do Instituto Alvorada Brasil, ele reuniu 22 obras em acrílico sobre tela e técnica mista sobre papel aquarela. A exposição traça uma cronologia de 2016 a 2023, cobrindo impeachment de Dilma Rousseff, atuação do Congresso e do Judiciário, governo de Bolsonaro, a pandemia e os ataques de 8 de janeiro.

Para Mauro de Deus, curador do Instituto Alvorada Brasil, Paulo tinha um olhar crítico aliado ao humor. As obras em cartaz na SCLS 109 Sul são, segundo ele, “fantásticas” e refletem a personalidade do artista, que também foi reconhecido como programador visual e ilustrador de jornais, revistas e livros.

Trajetória internacional do artista inclui participação decisiva no Movimento Cabeças, nos anos 1970, com cartazes emblemáticos. Famosas serigrafias retrataram o cotidiano do Beirute, bar memorial de Brasília. Paulo também atuou no mercado editorial, ilustrando veículos e trabalhos para a UNESCO sobre HIV.

Ao longo da carreira, o trabalho de Andrade transita entre desenho, pintura, gravura, objetos de papel e esculturas em formato de pacotes, produzidos em duas passagens por Nova York. Ele expôs em museus e galerias de capitais brasileiras e estrangeiras, entre elas Washington e a Costa Rica.

O legado humano de Paulo é lembrado por colegas e amigos no Quadradinho. Marília Panitz, professora de arte e curadora, destaca a amizade de décadas e a parceria com Paulo, que inclusive desenhou convites de casamento na década de 1970. Maria Helena de Carvalho ressalta a importância de seu registro na arte de Brasília.

Ana Costa, médica e amiga, expressou em redes sociais a tristeza pela perda. Ela lembrou a coragem do amigo, comparando-o a Dom Quixote em combate, e a vontade de continuar pintando. A família permanece em luto e a cidade perde um de seus pioneiros da contracultura.

A exposição Do golpe ao golpe permanece aberta no Espaço Cultural do Instituto Alvorada Brasil, na SCLS 109 Sul. O horário é de segunda a sexta, das 16h às 18h30, com entrada gratuita e classificação livre. O período da mostra não está definido.

Observação: este texto reescreve e organiza as informações do material original, mantendo neutralidade e foco em fatos verificáveis. Crédito das informações: Correio Braziliense.

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