- A atriz Marjorie Estiano, de 44 anos, declarou que não pretende ter filhos, em participação no podcast Isso Não É uma Sessão de Análise.
- Ela afirmou que nunca considerou a maternidade e que o ambiente “bélico” com a mãe na juventude influenciou essa decisão.
- A psicóloga Alessandra Araújo diz que o julgamento à escolha de não ser mãe acontece porque essa posição fere estruturas e expectativas da sociedade.
- O tema é visto como quebra de um destino preestabelecido, gerando desconforto quando mulheres se mostram plenas sem obrigações familiares.
- A especialista destaca que decidir não procriar pode ser ato de maturidade psíquica e responsabilização sobre a própria vida, não apenas opinião.
Marjorie Estiano, 44 anos, afirmou que não pretende ter filhos. Em entrevista ao podcast Isso Não É uma Sessão de Análise, a atriz disse que nunca cogitou a maternidade e citou a influência de um ambiente familiar conturbado na juventude para justificar sua escolha pela vida independente.
A declaração reacende o debate sobre pressões sociais ligadas ao corpo feminino. A psicóloga e sexóloga Alessandra Araújo explica que a recusa à maternidade ainda provoca desconforto público por mexer em estruturas e expectativas profundas da sociedade.
O peso das expectativas sociais
A especialista aponta que a cultura costuma associar a mulher à função de mãe, o que torna difícil aceitar uma vida sem filhos. O filho é, para muitos, visto como preenchimento de lacunas, o que acarreta julgamentos sobre quem opta pela não parentalidade.
Segundo Alessandra, a análise revela que o posicionamento não é apenas opinião, mas uma elaboração do desejo. Quando uma mulher afirma não querer ter descendentes, diz ela, está responsabilizando-se pela própria vida.
A profissional comenta que o sofrimento social decorre da percepção de a mulher ocupar, de forma quase exclusiva, o papel por vezes idealizado de mãe. Recusar esse papel gera resistência e, em alguns casos, estranhamento público.
Ela ressalta que a decisão pode representar maturidade psíquica. Descreve o ato como autonomia que reconhece a própria necessidade, não uma resposta a traumas, mas uma escolha de vida autêntica.
A narrativa de Marjorie, segundo a psicóloga, mostra que a trajetória de elaboração de conflitos passados pode levar a um posicionamento firme e consciente. Dessa forma, a maternidade deixa de ser exigência social para ser opção pessoal.
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