- Taís Araújo estreia o solo Mudando de Pele no Teatro Raul Cortez, Sesc 14 Bis, em São Paulo, com ingressos esgotados até a sessão de 5 de julho, iniciando na quarta-feira, 3 de junho.
- A peça, dirigida por Yara de Novaes, traz Mayah, uma mulher de 40 anos, e tem elenco musical com Dani Nega e Layla; a produção tem forte participação feminina.
- Taís defende que as narrativas negras vão além do sofrimento e do racismo, buscando ampliar a representatividade com referências de Cord Jefferson, Emicida, Jotapê, bell hooks, Toni Morrison e Sueli Carneiro.
- A artista ressalta a responsabilidade do ator e que a teledramaturgia tem ganhado atenção, além de destacar a atuação como produtora de Mudando de Pele, em um processo colaborativo sem conflitos.
- Fora do teatro, Taís vai protagonizar e produzir um filme sobre Elza Soares, buscando uma direção que traduza a ousadia artística da cantora, sem adiar a realização do projeto.
Taís Araújo estreia o solo Mudando de Pele em São Paulo, com o objetivo de ampliar a representação negra no teatro e questionar a visão episódica da dor negra na mídia. A atriz de 47 anos escolheu um monólogo de Amanda Wilkin, dirigido por Yara de Novaes, para voltar aos palcos após o início da produção de Vale Tudo.
A montagem fica em cartaz no Teatro Raul Cortez, no Sesc 14 Bis, com ingressos esgotados para todas as sessões até 5 de julho. A programação segue em agosto, com nova temporada no Teatro Faap, também na capital paulista.
Taís divide o palco com Dani Nega e Layla, duas musicistas que acompanham Mayah, personagem de 40 anos que enfrenta a perda de emprego, término de relacionamento e moradia instável em um único dia. A dramaturgia aponta para uma jornada de autoconhecimento e questionamento da ancestralidade.
A atriz destaca que a peça transcende a simples pauta racial, buscando obras que expandam a temática preta para além do Brasil escravocrata. Ela cita referências como o cinema, a música e a literatura que moldam a percepção pública sobre a negritude e reforça a responsabilidade do artista na sociedade.
Como produtora, Taís enfatiza o uso de equipes majoritariamente femininas e relata que o processo de ensaio ocorreu de forma colaborativa e respeitosa, sem atritos significativos. A profissional também aponta a importância de narrativas que apresentem a multiplicidade de personagens negros.
Taís Araújo comenta ainda sobre a experiência de ser mãe de João Vicente e Maria Antônia. Ela reforça que os filhos se identificam nas histórias consumidas e que, apesar de avanços, o país continua enfrentando preconceitos. A artista ressalta que, mesmo com proteção, não há garantia de segurança para a população negra.
Ainda em produção, Taís protagoniza e produz um filme sobre a vida da cantora Elza Soares, em parceria com a O2. O projeto está em estágio inicial de roteiro e line up, sem data de estreia definida, com foco em imprimir traços ousados e artísticos da artista.
A conversa com a imprensa aborda mudanças na teledramaturgia e na publicidade, apontando para uma maior diversidade na tela, mas reconhecendo que ainda há caminho a percorrer. A atriz mantém o compromisso de provocar reflexões sem adotar postura de julgamento.
Mudança de mentalidade
- Mudança de mentalidade: Taís afirma ter aproveitado as oportunidades com disciplina e diplomacia. Ela relembra papéis marcantes na carreira, como Xica da Silva e Helena, destacando a evolução da representação negra na televisão brasileira.
- Transformação de público: Taís garante que o brasileiro hoje vê a população negra com maior multiplicidade de personagens na TV. Ela atribui parte dessa mudança à responsabilidade das próprias emissoras, que passam a ampliar o repertório narrativo.
- Liderança criativa: No processo de Mudando de Pele, a atriz ressalta o protagonismo feminino na equipe criativa, yara de Novaes na direção e a presença de quase vinte mulheres entre os criadores.
Mudando de Pele
Teatro Raul Cortez – Sesc 14 Bis, Bela Vista
Quinta a sábado, 20h; domingo, 18h. Até 5/7
Ingressos esgotados para a temporada
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