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Foto rara de Marilyn Monroe inspira nova exposição em Londres

Nova exposição em Londres destaca a autonomia de Marilyn Monroe na construção de sua imagem, com foto de Eve Arnold mostrando-a lendo Ulisses

Marilyn Monroe em foto rara lendo "Ulisses"
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  • Marilyn Monroe aparece lendo “Ulisses”, em 1955, fotografada pela americana Eve Arnold em Long Island, Nova York, com o livro nas páginas finais.
  • A imagem integra a nova exposição da National Portrait Gallery, em Londres, que encara a autonomia de Monroe na construção de sua própria imagem.
  • A mostra, inaugurada recentemente, reúne dezenas de retratos que vão dos primeiros pôsteres de Norma Jeane até o ensaio na praia de Santa Monica, semanas antes de sua morte aos 36 anos.
  • A foto revela Monroe como leitora ávida, 29 anos naquela época, e ter apoio de que o retrato não era apenas um acessório, mas uma leitura que subverte o estereótipo da loira burra.
  • A curadoria destaca o papel de Eve Arnold em permitir que Monroe controlasse sua imagem, revisando folhas de contato e escolhendo apenas as fotos com as quais se sentia satisfeita.

A National Portrait Gallery de Londres inaugurou uma nova exposição que revisita a construção da imagem de Marilyn Monroe, ressaltando sua autonomia como protagonista de sua própria figura pública. Entre os itens em exposição, destaca-se uma foto icônica de 1955, tirada em Long Island, que mostra a atriz jovem lendo com concentração, despojada de elementos de cena e de sapatos.

A imagem, capturada pela fotógrafa Eve Arnold, revela Monroe com um macacão multicolorido, em um ambiente infantil, quase terminando o romance Ulisses, de James Joyce. A obra faz parte do conjunto que acompanha a trajetória da estrela, desde os primeiros anos como Norma Jeane até ensaios recentes próximos à sua morte, aos 36 anos.

A mostra, aberta desde quinta-feira, reúne dezenas de retratos e busca evidenciar a leitura que Monroe fazia de sua própria imagem, muitas vezes controlando quais fotos veriam a luz. A curadoria destaca o papel da atriz na gestão de sua narrativa visual.

A criação de imagem de Monroe

A exposição enfatiza que Monroe teve maior controle sobre as fotos do que sobre seus filmes, com veto e revisão de imagens antes da publicação. A curadora assistente ressalta a ideia de que Monroe buscava divulgação apenas de imagens com as quais realmente se identificava.

A parceria com Eve Arnold é apresentada como um marco na transição de Monroe de símbolo sexual para artista com voz própria. A sessão em Long Island ocorreu após a atriz ter aberto sua produtora e buscar maior independência criativa, meses depois de já ter rompido com a era hollywoodiana.

A história da colaboração entre Monroe e Arnold é destacada pela professora e historiadora Griselda Pollock, que analisa a leitura de Ulisses como gesto consciente de afirmação da intelectualidade feminina, conectando a escolha ao contexto de resistência aos estereótipos.

Olhar feminino e legado

Poucas mulheres fotografaram Monroe de modo tão natural quanto Arnold, que preferia imagens feitas fora do estúdio para revelar o cotidiano da estrela. A prática contrasta com o retrato mais polido de muitos pares masculinos na época e reforça a ideia de expressão autônoma.

O acervo da exposição também contextualiza oa período de colaboração entre as duas profissionais ao longo de uma década, incluindo ações durante as filmagens de Os Desajustados (1960). O foco central permanece na busca por entender a pessoa por trás da imagem pública.

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